- Greg Abel assume a presidência da Berkshire Hathaway sem a imanência de Buffett, e enfrenta volatilidade maior nas ações desde a sua posse.
- As ações da Classe B ficaram abaixo do S&P 500 em mais de 37 pontos percentuais nos últimos doze meses, levando a uma queda de about US$ 139 bilhões no valor de mercado.
- Explicações incluem participação da Kraft Heinz, mercado de ações caro e foco em IA, que limitam oportunidades de investimento para a gigante com US$ 373 bilhões em caixa.
- Investidores também aguardam ver se Abel conseguirá manter a “mágica” de Buffett, já que a ausência do Oráculo de Omaha diminui a confiança no desempenho futuro.
- A Berkshire tem uma relação preço/valor patrimonial em torno de 1,4, caiu de quase 1,8, e o mercado passa a cobrar respostas sobre investimento e gestão de ativos, além de mudanças na equipe.
A Berkshire Hathaway enfrenta volatilidade de mercado pela primeira vez sem Warren Buffett à frente. Greg Abel assume a presidência e terá de lidar com a queda no valor de suas ações Classe B desde a aposentadoria de Buffett, há cerca de um ano. O desempenho abaixo do S&P 500 acentua a pressão sobre o novo CEO e sobre a capacidade da empresa de manter seu histórico de geração de valor.
Além do desafio macroeconômico, a Berkshire enfrenta questões específicas de investimentos, como a Kraft Heinz, e o ambiente de ações caro, com amplo foco em IA. O caixa disponível soma US$ 373 bilhões, mas fica tímido diante de oportunidades distintas, o que alimenta a dúvida sobre a capacidade de Abel de reproduzir o formato de investimentos de Buffett.
A mudança de comando coincidiu com queda do valor de mercado da companhia e uma erosão da aura que Buffett cultivou ao longo de décadas. O indicador preço/valor patrimonial caiu para cerca de 1,4, diante de quase 1,8 no ano anterior, refletindo a cautela dos investidores. Nessa linha, analistas apontam que Abel não possui experiência anterior em gestão de ativos, área central para a Berkshire.
A expectativa dos acionistas é de que Abel demonstre, pelo menos, a continuidade da estratégia de investimentos e gestão de riscos defendida pelo mentor. A equipe de gestão passou por ajustes, com novas nomeações e dispensas, e a assembleia anual em Omaha deverá esclarecer o perfil da governança atual. A reunião é vista como crucial para confirmar a capacidade da Berkshire de manter seu modelo de negócios sob nova liderança.
O cenário externo também contribui para a avaliação: uma alta no preço de ações impulsionada pela atmosfera de IA contrasta com resultados corporativos desafiadores em áreas como seguros, cuja margem de lucro caiu no último trimestre de 2025. Ainda, a Berkshire registrou uma baixa contábil de US$ 8,3 bilhões envolvendo Kraft Heinz e Occidental Petroleum no ano anterior, o que impactou a percepção de eficiência em aquisições.
Os próximos passos incluem a volta das recompras de ações, iniciadas em março, e o detalhamento da experiência da equipe executiva, como Katie Farmer (BNSF) e Adam Johnson (NetJets). O objetivo é oferecer aos acionistas evidências de que a Berkshire mantém fundamentos sólidos, mesmo com nova gestão no comando.
Especialistas destacam que o mercado pode desejar ver sinais de eficácia na seleção de investimentos de Abel, ainda que o legado de Buffett permaneça um referencial. Observadores ressaltam que a tarefa de superar a percepção de “mistério” em torno da Berkshire pode exigir tempo, mas o desempenho pode responder a decisões estratégicas consistentes com o histórico da empresa.
Entre na conversa da comunidade