- O acordo provisório entre Mercosul e União Europeia entra em vigor; estima-se que as exportações do Brasil para a UE avancem em até US$ 1 bilhão no primeiro ano.
- A União Europeia eliminará tarifas de importação sobre aproximadamente 95% dos bens brasileiros (92% do valor das importações), enquanto o Mercosul alcançará 91% dos seus bens, correspondentes a 85% do valor das importações da UE.
- Acesso tarifário imediato a 5 mil itens do Mercosul para a UE, com maior parte das reduções para zero e impacto inicial de expansão para setores como aeronaves, motores elétricos, couros, uva e mel.
- O Mercosul passa a ter acesso a 54% do mercado europeu com tarifa zero, enquanto produtos europeus com tarifa zero para o Mercosul somam 10% do mercado sul-americano; planos de redução seguem em fases ao longo de até dez a 15 anos, com exceções de veículos elétricos e novas tecnologias.
- No agronegócio, o Ministério da Agricultura prevê possível acréscimo de até US$ cinco bilhões por ano nas exportações para a UE em cerca de cinco anos, com impactos diferenciais conforme os itens e cotas.
Após 26 anos de negociações, o acordo provisório entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira, 1º de maio. O pacto cria a maior área de livre comércio do mundo, com 720 milhões de habitantes e PIB de US$ 22 trilhões. O Brasil aposta em ganhos comerciais significativos já no primeiro ano.
O governo estima que as exportações brasileiras para a UE aumentem em US$ 1 bilhão neste primeiro ano de vigência. A queda de tarifas faz parte de uma liberalização ampla, com impactos graduais ao longo de até 15 anos para alguns setores.
A UE é destino estratégico do Brasil, com a Itália, Alemanha e Espanha entre os principais compradores. A ampliação do acordo dependerá de reduções tarifárias que devem ocorrer conforme o cronograma acordado entre as partes.
O que muda na prática
A partir de hoje, 5 mil itens do Mercosul passam a ter acesso tarifário zero à UE, com a maior parte das mercadorias beneficiadas já no início. Entre os itens destacados estão aeronaves, motores elétricos, couros, uvas e mel.
O Mercosul terá acesso a 54% do mercado europeu com tarifa zero, segundo estudo da ApexBrasil. Já na prática, produtos brasileiros com tarifa zero no bloco somam 1 mil itens para importação na UE a partir de amanhã.
Do lado europeu, 1 mil produtos poderão entrar no Mercosul com desgravação imediata. A UE mantém, no entanto, uma maior escala de abertura, com o bloco sendo maior em termos de valor de mercado.
Para o setor industrial, a redução alcança cerca de 95,8% do valor das importações brasileiras de máquinas e equipamentos. Outros segmentos também ganham acesso imediato, como alimentos e produtos de metal.
Expectativas para o agronegócio
O Ministério da Agricultura projeta alta de até US$ 5 bilhões por ano nas exportações do agronegócio brasileiro para a UE em até cinco anos. A UE já é o segundo maior destino do agronegócio brasileiro, com cerca de US$ 25,2 bilhões embarcados no último ano.
Estimativas indicam que, já neste ano, o acordo pode elevar as exportações do setor entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, considerando cotas e reduções imediatas. Os impactos variam conforme o ritmo de desgravação de cada produto.
A Confederação Nacional da Indústria aponta que mais de 80% das importações da UE de bens do Brasil podem vir de itens com tarifa zerada em 2025. Entre os mais beneficiados estão máquinas e equipamentos, alimentos, metalurgia e químicos.
Observações finais do setor público
O governo destaca o potencial de ampliar o comércio com a Europa, ressaltando a estabilidade democrática da região e a força de parcerias. A negociação envolve reduções graduais, com exceções para veículos elétricos, híbridos e novas tecnologias, com prazos de até 30 anos.
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