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Dia do Trabalho: diferenças e afinidades entre as gerações

Gerações divergem, mas defendem jornadas menores e o fim da escala 6×1 para proteger a saúde mental no trabalho

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  • O choque geracional mostra que o trabalho deixa de ser a identidade e passa a precisar se encaixar na vida das pessoas.
  • Baby Boomers e Geração X viviam o trabalho como vida, com medo da aposentadoria por não terem outras atividades fora da carreira.
  • Millennials, Geração Z e Alpha passam a trabalhar para viver, valorizando bem‑estar e saúde mental no topo das prioridades. Na Geração Z, apenas seis por cento pretendem cargos de liderança e seis em cada dez priorizam a saúde mental.
  • A CLT continua relevante, mas a flexibilidade cresce; o formato clássico “oito às oito” é visto como rígido, e há demanda por programas multigeracionais e mentorias cruzadas.
  • Existe convergência entre as gerações: defesa de jornadas menores e do fim da escala 6×1 para favorecer saúde mental e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

No Dia Mundial do Trabalho, especialistas discutem como as gerações enxergam a relação com a carreira. O debate revela mudanças profundas na mentalidade sobre o papel do emprego na vida pessoal e na saúde. A relevância cresce diante de novas prioridades, como bem-estar e equilíbrio.

Economistas e pesquisadoras destacam que, antes, o trabalho dizia respeito em grande parte à identidade do indivíduo. Hoje, muitos jovens buscam encaixar a carreira em uma vida que faça sentido, não apenas dedicar-se integralmente à função profissional.

Essa mudança tem impacto direto no mercado: profissionais de diversas idades pedem maior flexibilidade, menos hierarquia rígida e oportunidades que respeitem a saúde mental. O cenário influencia decisões sobre carreira, remuneração e permanência no emprego.

Gerações mais antigas

A economista Carla Beni resume a visão de quem iniciou no mercado há décadas: o trabalho era a vida. Do ponto de vista educacional, eram priorizados desempenho e evitar falhar, com pouca ênfase em atividades fora do expediente.

Carla explica que esse modelo alimentou receios quanto à aposentadoria. Muitos não desenvolveram hobbies ou interesses paralelos, o que, para alguns, tornava a fase de saída da atividade econômica um vazio existencial.

Para essas gerações, o tempo dedicado à carreira era central; a percepção era de que o sucesso profissional validava a identidade, o que elevava a pressão social e de gênero para as mulheres seguirem o mesmo caminho.

Geração Z e Millennials

Gaya Machado, cientista comportamental, aponta que apenas 6% da Geração Z almeja cargos de liderança, enquanto a maioria prioriza saúde mental. A frase “trabalhar para viver” resume bem a mudança de mindset.

Segundo a pesquisadora, a resistência não é à CLT, mas ao formato rígido de horário sem autonomia. Mentorias cruzadas e ações multigeracionais aparecem como caminhos para convivência entre experiências.

Carla Beni reforça que equipes com perfis diferentes podem gerar aprendizado e resultados mais estáveis, desde que haja diálogo e respeito mútuo entre gerações.

Convergências e impactos

Entre as gerações, cresce o movimento pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1 como prioridade de saúde mental. A tendência busca equilibrar vida pessoal, estudos e atualização profissional.

Para jovens talentos, a escolha do empregador passa pela qualidade de vida, não apenas pelo salário. Em contrapartida, profissionais mais velhos valorizam estabilidade, porém demandam ambientes que ofereçam flexibilidade.

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