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Emprego cresce no Dia do Trabalho, mas renda fica abaixo do esperado

Emprego cresce no Brasil, mas renda não acompanha; informalidade elevada e baixa produtividade limitam ganhos e desenvolvimento

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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  • Em fevereiro, o Brasil criou 255.321 empregos formais, com mais de 2,3 milhões de admissões no período, segundo o Caged.
  • A taxa de desocupação ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, abaixo de 6,8% no mesmo período de 2025; desemprego caiu de 7,3 milhões para 6,2 milhões em um ano.
  • Economista diz que o crescimento de empregos não representa melhoria estrutural, ocorrendo de forma quantitativa com fragilidade qualitativa, com ocupações em setores de baixa produtividade.
  • A informalidade permaneceu em 37,6% no quarto trimestre de 2025, contribuindo para empregos precários e renda limitada.
  • Mesmo com mais pessoas ocupadas, a renda não acompanha o ritmo, devido à informalidade, inflação persistente em itens essenciais e baixos ganhos de produtividade; é preciso foco em qualificação, tecnologia e ambiente de negócios.

O Dia do Trabalho chega com números que parecem positivos à primeira vista: o Brasil registrou criação de vagas formais em fevereiro e redução da taxa de desemprego. Segundo o Caged, foram 255.321 empregos formais criados, com mais de 2,3 milhões de admissões no período.

A taxa de desemprego ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, abaixo dos 6,8% de igual período de 2025. O total de desempregados caiu de 7,3 milhões para 6,2 milhões em um ano.

Por que o painel se complica para a renda? Análise de economistas aponta fragilidades na qualidade da ocupação, com maior informalidade e menor produtividade. O ganho de renda não acompanha o ritmo das contratações.

Mercado de trabalho em melhoria estrutural?

Economistas divergem sobre o significado dos números. A leitura comum é de avanço quantitativo sem alterações na qualidade da ocupação, com concentração de vagas em setores de menor produtividade e renda.

Para o pesquisador Carlos Honorato, o movimento é de maior ocupação, mas não de melhoria estrutural. O aumento ocorre com fragilidade na qualidade dos empregos, incluindo maior informalidade.

Honorato aponta que a informalidade persiste em patamar elevado e compromete ganhos de renda e de produtividade, dificultando impactos de longo prazo na economia.

Impacto na renda e na inflação

A combinação de mais empregos com menor produtividade tende a pressionar preços, especialmente em serviços e itens essenciais. A lógica aponta a necessidade de ganhos de produtividade para sustentar inflação sob controle.

Essa leitura sugere que o mercado absorve mão de obra rapidamente, mas em categorias de menor qualificação. O desempenho de curto prazo não traduz recuperação estável de renda para as famílias.

Caminhos para crescimento sustentável

Especialistas defendem foco em qualidade de empregos, qualificação e investimento. O objetivo seria combinar ocupação com ganhos de produtividade, reduzindo gargalos estruturais e fortalecendo o ambiente de negócios.

Sem mudanças estruturais, observa-se risco de manter o ciclo de empregos de baixa qualidade. A economia pode continuar gerando vagas sem avanços consistentes de renda e de desenvolvimento.

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