- O VEJA Fórum Energia discutiu o Brasil como potencial fornecedor global de energia limpa, dialogando sobre biocombustíveis, atração de investimentos e dados center de IA.
- Exportações de etanol e biodiesel devem chegar a 1,2 bilhão de litros neste ano; a Lei do Combustível do Futuro prevê subir o biodiesel a 20% até 2030, mas o Brasil está com 15% hoje e 57% de capacidade ociosa em 58 usinas.
- No setor elétrico, o curtailment (interrupção forçada de hidrelétricas) gera risco de apagões; soluções com baterias dependem de coordenação entre empresas e autoridades.
- A governança do sistema elétrico é apontada como crucial para atrair investimentos, com a SPIC Brasil anunciando aporte de 1 bilhão de reais na expansão da usina de São Simão.
- Para pessoas físicas, a migração ao mercado livre ocorre a partir de 2028; especialistas destacam a importância de oferecer controle de contrato e boa governança, além de previsibilidade e incentivos adequados.
O VEJA Fórum Energia, realizado em São Paulo na segunda-feira 27, reuniu especialistas e executivos para discutir o potencial do Brasil como fornecedor de energia limpa. O debate apontou que o país pode avançar ao coordenar atores do setor, exportar biocombustíveis e atrair investimentos em matriz energética sustentável.
Os participantes destacaram o papel dos biocombustíveis como locomotiva da indústria brasileira, ao lado do agronegócio. As exportações de etanol e biodiesel devem chegar a 1,2 bilhão de litros neste ano, segundo o vice-presidente do grupo Potencial. No entanto, a implementação depende de avanços na governança pública.
Biocombustíveis
A Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, determina subida gradual do biodiesel no diesel, até 20% em 2030. O problema citado é a dependência de aval do Conselho Nacional de Política Energética, que ainda não confirmou as metas. Enquanto Indonésia e EUA avançam, o Brasil permanece com 15% de mistura e 57% de ociosidade em 58 usinas.
Desafios da rede elétrica
O fórum enfatizou o curtailment, a interrupção de geração hidrelétrica para não sobrecarregar o sistema durante o dia. Hidrelétricas retomar rapidamente à noite é difícil, exigindo acionamento de termelétricas. O risco é de queda no fornecimento durante picos de demanda, caso a coordenação falhe.
Países com maior integração de baterias enfrentam menor risco de apagões, mas exigem alta cooperação entre empresas e órgãos reguladores. A executiva Adriana Waltrick, da SPIC Brasil, disse que governança efetiva pode atrair investimentos, citando o plano de ampliar a hidrelétrica de São Simão com aporte de 1 bilhão de reais.
Perspectivas de investimento e consumo
A desarticulação entre entes públicos preocupa investidores e consumidores, segundo especialistas. Anderson Baranov, presidente da Norsk Hydro Brasil, alertou para o risco de incentivar apenas a geração sem estimular o consumo. A Vale, por sua vez, já produz toda a energia que consome, o que, segundo Rodrigo Lauria, reforça a segurança da operação.
Para pessoas físicas, a migração ao mercado livre está prevista para 2028, mas o setor precisa alinhar discurso. Gustavo Cintra, do BTG Pactual, destacou que maior valor envolve permitir ao cliente controlar o contrato, não apenas preço baixo. Boa governança, previsibilidade e incentivos adequados são vistos como caminhos para o setor.
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