- Em abril, o IFIX subiu 1,5%, recuperando o desempenho dos fundos imobiliários após março negativo.
- O Ibovespa fechou abril quase estável, com queda de 0,08%, e o IFIX ficou acima dele no mês.
- No acumulado de 2026, o IFIX avança 4,1%, ainda longe da alta do Ibovespa, de 16,2%.
- O impulso veio principalmente dos fundos de papel, que avançaram 2,1%, seguidos pelos de tijolo, com alta de 1,1%, destacando shoppings entre os tijolo.
- A perspectiva de juros e cortes na Selic pelo Copom influenciam a atratividade dos FIIs, com apostar em recebíveis mantendo apelo defensivo.
Os fundos imobiliários (FIIs) retomaram o fôlego em abril, segundo dados do IFIX, que subiu 1,5% no mês. A recuperação ocorreu mesmo com incertezas externas, juros elevados no Brasil e cautela dos investidores, e levou o índice a superar o Ibovespa, que ficou praticamente estável.
Entre os pilares da alta, os FIIs de papel avançaram 2,1%, puxados pela demanda por títulos de dívida do setor imobiliário, como CRIs. Em contrapartida, os FIIs de tijolo tiveram alta de 1,1%, com o segmento de shoppings se destacando pela saúde operacional.
Desempenho relativo entre índices
O IFIX terminou abril 1,5% acima, enquanto o Ibovespa caiu pouco menos de 0,1%. O recuo do mês anterior, em março, contribuiu para uma recuperação que vinham buscando impulsos após a pressão causada pela guerra no Oriente Médio.
No acumulado de 2026, o IFIX avança 4,1%. Ainda assim, o desempenho do Ibovespa, com alta de 16,2% no ano, mantém o índice de FIIs menos valorizado nesse período. A hipótese é de que FIIs ganharam atratividade após a melhora de alguns fundamentos.
Impacto da evolução de juros
A trajetória dos juros continua central para os FIIs. Quando as taxas de títulos atrelados à inflação sobem, a atratividade relativa dos FIIs diminui, já que rendimentos de renda fixa passam a competir com cotas. Quando há queda de juros reais, a demanda por imóveis tende a aumentar.
A decisão do Copom de reduzir a Selic para 14,5% ao ano trouxe um novo ingrediente para o mercado. Cortes adicionais em 2026 poderiam favorecer fundos ligados a imóveis físicos, como lajes corporativas, shoppings e galpões logísticos.
Segmentos e perspectivas
Entre os setores, lajes corporativas registraram recuperação gradual, apoiada pela retomada de atividade em grandes centros. A demanda por espaços bem localizados e contratos sólidos tende a favorecer ativos de qualidade em portfólios seletos.
Galpões logísticos mantêm demanda aquecida, impulsionada pelo crescimento do comércio eletrônico e pela necessidade de eficiência logística. A vacância segue em níveis baixos em áreas estratégicas, favorecendo reajustes de aluguel.
Shoppings contribuíram para o desempenho, com ocupação estável, inadimplência controlada e fluxo de consumidores relativamente firme. A taxa de ocupação saudável sustenta receitas de aluguel, ainda que o ritmo de crescimento possa desacelerar.
Riscos e seleção de ativos
Fundos de recebíveis continuam vistos como defensivos, por terem carteiras indexadas ao CDI ou à inflação, oferecendo renda estável em meio a juros elevados. A continuidade dessa vantagem dependerá do cenário de caminhos para a inflação e de cortes adicionais nos juros.
FoFs e multiestratégia aparecem como oportunidades potenciais, mas exigem cautela. A dispersão de estratégias pode elevar a volatilidade, dependendo do timing de entrada e saída.
Conclusão de cenário
Apesar da recuperação de abril, o ambiente externo ainda impõe cautela. A evolução da guerra no Oriente Médio, a inflação global e a trajetória da Selic no Brasil seguem como fatores-chave para o desempenho dos FIIs.
Em resumo, abril mostrou que fundos imobiliários voltaram a avançar, com atuação mais firme de fundos de papel e de segmentos de tijolo. A seleção cuidadosa de ativos e gestores continua essencial para navegar o cenário de volatilidade.
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