- O iene voltou a subir frente ao dólar na sexta-feira após o chefe da política cambial do Japão dizer que Tóquio está pronto para intervir no mercado, gerando especulação sobre uma nova rodada de ações.
- Dados do banco central mostraram que o Japão pode ter gasto até 5,48 trilhões de ienes (US$ 35 bilhões) para fortalecer a moeda, próximo do valor registrado em julho de 2024.
- A intervenção oficial, na quinta-feira, elevou o iene em até 3% e foi a primeira em quase dois anos, segundo fontes familiarizadas com o assunto.
- Mercados ficaram nervosos com a possibilidade de volatilidade adicional e com a proximidade do feriado da Semana Dourada, que pode estimular movimentos especulativos.
- A fraqueza do iene continua atrelada à diferença de juros com os Estados Unidos, aos preços elevados do petróleo e ao ritmo lento de aumentos da taxa pelo Banco do Japão.
O iene se valorizou frente ao dólar na sexta-feira após o Japão sinalizar que está pronto para intervir novamente no mercado cambial. O movimento ocorreu horas depois de compras oficiais terem impulsionado a moeda, alimentando expectativas de uma nova intervenção. A determinação foi reforçada por Atsushi Mimura, responsável pela política cambial, que disse estar pronto para agir.
Dados do banco central apontaram que o Japão pode ter gasto até 5,48 trilhões de ienes (US$ 35 bilhões) para fortalecer a moeda, aproximação do valor gasto em julho de 2024. O recuo do dólar em Londres ajudou a sustentar a volatilidade entre operadores de câmbio.
A volatilidade aumentou conforme rumores de nova intervenção se disseminaram, com a moeda alcançando a mínima de sessão em torno de 155,60 ienes por dólar, ante 157,12 ienes mais cedo. Tensões entre juros dos EUA e do Japão continuam mantendo o iene sob pressão.
Intervenção oficial e reação do mercado
Horas após os rumores, o Japão interveio no mercado cambial para sustentar o iene, marcando a primeira intervenção oficial em quase dois anos, segundo fontes próximas ao tema. A moeda japonesa chegou a subir até 3% em alguns momentos.
Mimura não confirmou a intervenção de quinta-feira, mas manteve a posição de que as condições de mercado requerem vigilância constante. O governo segue em contato próximo com os EUA para avaliar a necessidade de ações adicionais conforme evolua o cenário.
Contexto econômico
O iene permanece vulnerável devido ao diferencial de juros entre os bancos centrais e à alta de preços do petróleo, impactando a inflação japonesa. Analistas destacam que o ritmo lento de aumento de juros pelo BoJ facilita a pressão de baixa sobre a moeda.
Especialistas ressaltam que a intervenção pode oferecer alívio de curto prazo, mas não resolve pressões estruturais. O petróleo elevado e o ambiente geopolítico ajudam a manter o iene sob vigilância, mesmo com ações pontuais do governo.
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