- Abril registrou recuperação de ativos de risco: Nasdaq subiu 15,3% e o MSCI Emergentes avançou quase 15,7%.
- O recuo de março, com guerra no Oriente Médio e incertezas, ficou para trás; naquele mês o Bitcoin se destacou, e renda fixa e dólar foram proteção.
- Nasdaq teve impulso de grandes empresas de tecnologia e IA, com Amazon, Alphabet e Microsoft apontando crescimento de receita e lucro e demanda por IA, nuvem e semicondutores.
- MSCI Emergentes subiu por valuations descontados, enfraquecimento do dólar, fluxo global de diversificação e força de economias asiáticas como Taiwan e Coreia do Sul, ligadas ao ciclo de tecnologia.
- Em conjunto, abril mostrou retorno do apetite por crescimento, com recomposição de carteira e sustentação de ganhos no ano.
Em abril, mercados globais retomaram o apetite por ativos de risco após um março difícil, marcado pela escalada de tensões no Oriente Médio. O destaque ficou com o Nasdaq, que avançou 15,3%, e o MSCI Emergentes, com alta de cerca de 15,7%.
A virada ocorreu em contraste com o mês anterior, quando investidores buscaram proteção diante de incertezas macro e geopolíticas. Nesse cenário, o Bitcoin apareceu como exceção entre ativos de risco, enquanto renda fixa e dólar serviram de refúgio.
Desempenho e timmings
O Nasdaq concentra mais de 3 mil empresas de tecnologia, inovação e internet. O MSCI Emergentes acompanha grandes e médias companhias de 24 economias em desenvolvimento, incluindo Brasil, China, Índia e Taiwan. Em abril, o movimento foi de retorno ao risco, com maior exposição a ativos de crescimento.
Para o especialista Marcelo Boragini, da Davos Investimento, houve recomposição de posições em ativos de maior beta após um período de cautela. Ou seja, investidores passaram a buscar ganhos potencialmente mais elevados, ainda que haja maior volatilidade.
No sentido de cenário, o Nasdaq ficou mais dependente do desempenho de grandes empresas de tecnologia, principalmente as relacionadas à inteligência artificial. Resultados de abril de empresas como Amazon, Alphabet e Microsoft sustentaram o impulso, com demanda firme por IA, semicondutores e serviços em nuvem.
Contexto para emergentes
Já entre os mercados emergentes, o movimento foi mais distribuído, influenciado por valuations ainda descontados em relação aos desenvolvidos, queda do dólar e fluxo global em busca de diversificação fora dos EUA. A rotação de capitais favoreceu economias asiáticas como Taiwan e Coreia do Sul, ligadas ao ciclo tecnológico.
Parte dos emergentes também contou com ambiente bom para commodities e entrada de capital externo, o que ajudou a sustentar moedas locais e ativos. Apesar de riscos geopolíticos e inflação elevada, o apetite por lucro, crescimento e fluxos de capital voltou a predominar.
Perspectiva de composição de carteira
A recuperação de abril contrastou com a dinâmica de março, marcada pela cautela e pela busca por proteção. A saída foi a recomposição de portfólios, com entrada gradual em ativos de maior sensibilidade a ciclos de alta, especialmente no setor de tecnologia e em economias emergentes.
Novamente, a diferença entre Nasdaq e emergentes reside na forma da recuperação: o Nasdaq concentra o avanço em grandes companhias de tecnologia, enquanto os emergentes exibem alta mais difusa, refletindo fatores macro e fluxos globais.
Em síntese, abril sinalizou a volta do apetite por crescimento. Com fundamentos mais sólidos e oportunidades de entrada após correções, o risco voltou a ter espaço, ganhando impulso relevante ao longo do mês.
Entre na conversa da comunidade