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Mercado subestima força do real, âncora contra a inflação, diz Kinea

Kinea vê força do real como âncora contra a inflação; câmbio estável em torno de R$ 5 pode frear o IPCA e sustentar a queda da Selic

Notas de reais (Shutterstock)
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  • Após o Copom cortar 0,25 ponto porcentual, a Selic ficou em 14,5%, e Daniela Lima, da Kinea, diz que a força do real tem sido subestimada.
  • O real se sustenta pela posição do Brasil como grande exportador líquido de petróleo e por juros elevados; investidores estrangeiros veem o país como destino estratégico, o câmbio não está totalmente considerado nas projeções.
  • A guerra no Oriente Médio já impacta preços de petróleo e fertilizantes, ajudando a pressão inflacionária em itens como diesel, sabão e fertilizantes; a Kinea revisou o IPCA de 2026 de 4,0% para 4,6%.
  • Se o câmbio ficar estável em torno de R$ 5,00, a inflação pode ficar abaixo do previsto; se seguir o Focus e chegar a R$ 5,25, a inflação pode chegar a 4,9%.
  • Mesmo com cortes de 0,25 p.p. esperados, o governo mostra estímulos fiscais; a base da Kinea permanece com Selic em torno de 12,5% ao final do ciclo, mas há risco se o petróleo subir muito e o câmbio se deteriorar.

Após o Copom reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na última reunião, para 14,5%, o mercado passa a calcular o ritmo dos próximos passos do Banco Central. O tema central, segundo a economista da Kinea, é a força do real, que estaria subestimada pelos levantamentos atuais.

Daniela Lima ressalta que o câmbio pode ter efeito positivo sobre a inflação e que essa variável não vem sendo precificada adequadamente. A economia brasileira, solvente em petróleo líquido exportado e com juros elevados frente aos pares globais, atrai fluxos estrangeiros que fortalecem o real.

A influência do câmbio, segundo a analista, pode frear o IPCA e sustentar o ciclo de queda da Selic, desde que o dólar permaneça estável perto de R$ 5,00. Caso siga as projeções do Focus, a inflação pode chegar a 4,9%.

Câmbio, petróleo e inflação

O conflito internacional já impacta o Brasil, com altas nos preços do petróleo e de fertilizantes. Distribuidores elevam margens de venda de combustíveis, mesmo sem reajustes recentes da Petrobras, o que acelera o repasse para o IPCA via aluguel, energia e itens derivados.

Esses movimentos contribuem para a inflação de diesel e de itens ligados a petróleo, como sabões e fertilizantes, refletindo em leituras de março do IPCA. A Kinea revisou para cima a projeção de IPCA de 2026, de 4,0% para 4,6%.

Se houver escalada da guerra, redução de estoques de petróleo e Brent a US$ 150, há risco de aversão global ao risco que pressionaria o câmbio e dificultaria a condução de cortes adicionais pela autoridade monetária.

Cenário fiscal, juros e política

A leitura da Kinea sobre o Copom indica tom mais firme na comunicação, com o BC monitorando próximos dados para ajustar o ritmo de cortes. O cenário-base prevê continuidade de quedas de 0,25 p.p., desde que o câmbio se mantenha sob controle.

Enquanto o BC atua de forma mais contida, o governo mantém políticas de estímulo que elevam a demanda, como o Desenrola 2.0 e medidas para o Minha Casa Minha Vida. Tais iniciativas elevam a pressão inflacionária e influenciam as decisões de política monetária.

A gestora espera que o BC consiga entregar a Selic em torno de 12,5% ao fim do ciclo, ainda diante de ruídos fiscais, políticas públicas de incentivo e volatilidade cambial associada ao cenário eleitoral.

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