- O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor de forma provisória hoje, com redução gradual de tarifas.
- O bloco Mercosul envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, somando 718 milhões de consumidores e US$ 22,4 trilhões de PIB.
- As tarifas devem zerar gradualmente: até quinze anos para 91% dos produtos europeus e até doze anos para 95% dos bens sul-americanos.
- No Brasil, o agronegócio é o principal beneficiado, com maior acesso ao mercado europeu; alguns itens, como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol, terão limites sem imposto.
- Produtos europeus podem ficar mais baratos no Brasil, como vinhos, queijos, azeite e chocolate, mas itens como muçarela, creme de leite e leite condensado não terão redução.
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor de forma provisória a partir de hoje, após quase 30 anos de negociações. A medida prevê redução gradual de tarifas entre os blocos comerciais.
O pacto cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e 27 países europeus, com 718 milhões de consumidores e PIB de US$ 22,4 trilhões. A implementação é faseada.
As tarifas serão zeradas gradualmente: o Mercosul tem até 15 anos para eliminar 91% das tarifas de produtos europeus; a UE, até 12 anos para acabar com 95% das tarifas de bens sul-americanos.
No Brasil, o agronegócio aparece como principal beneficiado, com maior acesso ao mercado europeu. Alguns itens, como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol, terão limites de venda sem impostos.
Por outro lado, alguns produtos europeus deverão ficar mais baratos no Brasil, como vinhos, queijos, azeite e chocolate. Outros itens, como muçarela, creme de leite e leite condensado, não terão redução de tarifas.
O acordo traz exigências sanitárias e ambientais para mercadorias brasileiras entrarem na UE, incluindo a proibição de desmatamento ilegal. O não cumprimento pode levar à suspensão do pacto.
Paralelamente, o texto prevê mecanismos para suspender a isenção de tarifas em caso de danos, como entradas excessivas de produtos estrangeiros que prejudiquem setores locais.
Aprovação e riscos
O Ipea aponta riscos para setores industriais ante a nova concorrência externa. Especialistas dizem que políticas públicas são essenciais para evitar dependência de commodities, desemprego e instabilidade econômica.
O acordo ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu, que pode manter ou derrubar o pacto, mesmo com a vigência provisória.
Há resistência na Europa, especialmente de produtores agrícolas franceses, que temem impactos de isenções sobre produtos latino-americanos mais competitivos. O tema permanece em debate entre os dois blocos.
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