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Mulheres no mercado de trabalho em 2026: avanços não escondem desafios

Apesar de avanços, desigualdade persiste: salário das mulheres é, em média, 21,3% menor que o dos homens e a liderança permanece desproporcional.

Mulheres no mercado de trabalho: o quanto o Brasil precisa avançar?
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  • A participação das mulheres no mercado formal aumentou, mas a desigualdade salarial persiste, com as mulheres ganhando em média 21,3% menos que os homens em empresas privadas de médio a grande porte.
  • No ranking por cargos, 52,8% da força de trabalho é feminina, mas 37,1% trabalham sem carteira assinada; poucas mulheres ocupam funções em áreas STEAM.
  • A maternidade segue sendo uma penalização na carreira, com dificuldades de recolocação e questionamentos sobre filhos em entrevistas de emprego; políticas como licença-paternidade podem ajudar, desde que adotadas culturalmente.
  • O acúmulo de funções, cuidado e tarefas domésticas recaem principalmente sobre as mulheres, associando-se a maior desgaste físico e mental e a menor disponibilidade para o trabalho remunerado.
  • Em liderança, o Brasil ocupa a 29ª posição entre 70 países (32,2% de cargos ocupados por mulheres), e há sinais de retrocesso em programas de Diversidade e Inclusão, ainda que haja arcabouço legal de ações afirmativas.

Ainda que haja avanços, o retrato da participação feminina no mercado de trabalho brasileiro permanece marcado por desigualdades. A matéria de referência analisa dados recentes para entender onde caminham as mulheres em 2026, quais lacunas persistem e quais políticas podem mudar esse cenário.

Entre os ganhos, destaca-se a sanção da Lei da Igualdade Salarial em 2023, que elevou a participação feminina no mercado formal. Ainda assim, a diferença de remuneração em empresas privadas de médio a grande porte chegou a 21,3% em 2026, com aumento de três pontos percentuais frente a 2024. O caminho até a equidade segue longo.

Participação cresce, mas desigualdade salarial persiste

Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial mostram que 52,8% da força de trabalho é feminina, mas 37,1% atuam com carteira assinada. Em cargos formais, predomina em funções de cuidado. Mulheres brancas registraram leve alta salarial, enquanto mulheres não brancas tiveram ganho menor e maior vulnerabilidade.

Amanda Dias, comunicadora e especialista, ressalta que a desigualdade não se resume ao salário, abrangendo tempo, cuidado e acesso a oportunidades. Ela aponta que mulheres negras enfrentam maiores barreiras, com crescimento de 29% em cargos com carteira, porém rendimento menor que o observado entre mulheres brancas.

Acúmulo de funções, seja no escritório ou em casa

A sobrecarga de trabalho doméstico persiste. A PNAD Contínua aponta 21,3 horas semanais dedicadas por mulheres a tarefas domésticas, contra 8,8 horas para homens. Pesquisa de 2025 indica que 43% são únicas responsáveis pelo trabalho doméstico, 48% cuidam de alguém sem remuneração e 60% relatam cansaço.

Maíra Liguori: a carga de cuidado é um motor da desigualdade. Ela ressalta que políticas de cuidados, como a licença parental igualitária, podem favorecer a mobilidade das mulheres no mercado, desde que haja adesão cultural e participação masculina.

Mulheres e maternidade: barreiras na carreira

A maternidade ainda é associada a interrupção de carreira. Estudos indicam que metade das mulheres é demitida ou abandona o emprego nos dois anos seguintes à licença-maternidade. Em 2025, 60% das mães estavam fora do mercado e 83,7% já foram questionadas sobre ter filhos em entrevistas, prática ilegal.

Dani Junco, CEO da B2Mamy, considera isso uma exclusão sistêmica. A Lei da Licença-Paternidade, sancionada recentemente, pode alterar esse quadro se houver adesão real de empresas e homens à prática.

Cargos e liderança: desigualdade persistente

Apesar da participação feminina, a ascensão a cargos de liderança permanece limitada. Em 2026, o Brasil tinha 32,2% de ocupação feminina em posições de liderança, colocando o país na 29ª posição entre 70 nações avaliadas. Pandemia e conservadorismo mundial são apontados como fatores de teto.

A mudança depende de combate ao machismo estrutural e de políticas que promovam ambientes de gestão mais inclusivos. Especialistas destacam a necessidade de transformar práticas de avaliação e promoção baseadas em desempenho, não em estereótipos.

Assédios e retrocessos em diversidade

O 19º Anuário de Segurança Pública aponta 8.353 casos de assédio sexual em 2025, aumento de 6,7% frente ao ano anterior. Empresas privadas vêm reduzindo programas de diversidade e inclusão, sob justificativas macroeconômicas.

Professora Jaqueline Gomes de Jesus aponta que essa tendência fere iniciativas de equidade. Ainda assim, o arcabouço legal brasileiro sustenta ações afirmativas para inclusão de mulheres e de outros grupos minorizados, com perspectiva de retomada dos conselhos de diversidade.

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