- Nos últimos anos, Châteauneuf-du-Pape mudou de estilo: vinhos mais frescos, com menos extração e vinificação, efeito aliado ao clima que favorece maturação natural.
- A identidade da região ganhou consistência no mercado, com exportações de cerca de 65% da produção para mais de cem países, destaque para Estados Unidos e Canadá.
- O clima e a nova geração de produtores ajudaram a superar disputas internas, fortalecendo o enoturismo e eventos como o Printemps des vins.
- A Maison Brotte modernizou estruturas e produção (aproximadamente 2,8 milhões de garrafas por ano), revendo o portfólio e fortalecendo terroirs como Domaine Barville, Domaine Grosset e Château de Bord.
- Domínios como Grand Tinel e Clef de Saint Thomas adotaram vinificação mais contida e foco em acidez; Clef de Saint Thomas trabalha com faixas de preço entre 25 e 40 euros, enquanto Grand Tinel exporta grande parte da produção, principalmente para Estados Unidos, Europa e Japão.
Châteauneuf-du-Pape vem passando por uma transformação de estilo nos últimos anos. Produtores da região dizem que a maturação natural dos frutos, aliado ao aquecimento global, reduz a necessidade de amadurecimento em madeira e privilegia acidez e frescor.
Várias vinícolas relatam ajustes na vinificação e na vinicultura. O objetivo é alcançar vinhos mais elegantes, com menos extração e maior finesse. A mudança é acompanhada por melhorias na gestão das vinhas e na seleção de parcelas.
O viticultor Benoît Brotte lembra que, no início da carreira, os vinhos tinham outro perfil. Hoje, com maturidade climática e novas práticas, a produção tende a apresentar maior frescor e equilíbrio entre fruta e acidez.
Mudanças de perfil e mudanças na prática
Christophe Jeune, do Grand Tinel, aponta ganhos em frescor, suavidade e finura entre 2012 e 2023. Vinho branco por imersão de novas variedades e vinificação com menos extração reduziram o peso alcoólico sem perder complexidade.
Benoît Brotte destaca que o novo perfil agrada tanto no mercado francês quanto internacional, especialmente nos EUA. Proprietários de pequenos projetos observam demanda por vinhos menos boisados e mais drinkables.
Sophie Kessler, do Clef de Saint Thomas, ressalta que os consumidores valorizam vinhos com leveza para acompanhar refeições. O público busca percepções de equilíbrio entre álcool e acidez, influenciando preços da faixa entre 25 e 40 euros.
Mercado, turismo e organização local
A região relata superação de conflitos internos para fortalecer a imagem coletiva. A proximidade entre produtores estimula ações como o Printemps des vins e masterclass, com a presença de associadas mais ativas.
As mudanças refletem ainda na infraestrutura de Châteauneuf-du-Pape, com melhorias urbanas e de turismo. A praça central ganhou cafés e estacionamentos, atraindo visitantes e visitantes de oenoturismo.
A Casa Brotte, com museu desde 1972, mantém forte presença turística. Com cerca de 16 mil visitas anuais, o espaço busca visitas em grupos menores, privilegiando experiências personalizadas sobre tours de ônibus.
Produção e exportação
A Maison Brotte produz aproximadamente 2,8 milhões de garrafas por ano, com 87 hectares sob cultivo. Parte significativa do volume é dedicada ao négoce e às caves próprias, com foco em qualidade e seleção de parcelas.
O Grand Tinel produz cerca de 100 mil garrafas anuais, com metade exportada para Europa, EUA e Japão. O domínio enfatiza uma abordagem de viticultura adaptada ao clima, mantendo o portfólio consistente.
Jean-Paul Daumen, da Vieille Julienne, trabalha com biodinâmica Demeter e Biodivin desde a virada dos anos 1990. O portfólio mistura vinhos de Châteauneuf-du-Pape com opções de Côtes-du-Rhône, ampliando o alcance.
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