- Estudo liderado pelo Banco Central Europeu analisa aquisições chinesas no exterior entre 2012 e 2021, revelando concentração de US$ 3,3 trilhões em ativos corporativos com foco em transferência de tecnologia.
- Investimentos foram majoritariamente na Europa (cerca de 42%) e na América do Norte (aproximadamente 38%), envolvendo investidores estatais e privados.
- Os pesquisadores apontam que o objetivo principal dessas compras foi internalizar tecnologia, alinhado ao programa Made in China 2025 para elevar a indústria de alta tecnologia.
- Após aquisições, as empresas-alvo elevam capital e gastos com P&D, mas o retorno em patentes é mínimo; porém, as matrizes chinesas registram aumento expressivo de patentes após a primeira aquisição em mercados desenvolvidos.
- O estudo sugere uso de estruturas em paraísos fiscais para retention de impostos e retorno de lucros, indicando uma estratégia de longo prazo para internalizar capacidade tecnológica, mesmo com ganhos de curto prazo inferiores.
O estudo liderado pelo Banco Central Europeu analisa aquisições chinesas no exterior entre 2012 e 2021, apontando a transferência de tecnologia como principal motivação. O recorte mostra investidores chineses, estatais e privados, investindo cerca de US$ 3,3 trilhões em ativos globais.
Os dados, reunidos por 161.773 empresas em 159 países, revelam que mais de 80% dos ativos passaram por estruturas com paraísos fiscais. Quase US$ 800 bilhões passam pelas Ilhas Cayman, conforme a pesquisa.
A pesquisa sustenta que os investimentos visam empresas com alto gasto em P&D e integração à cadeia de suprimentos, porém o retorno em patentes aparece de forma modesta. Ainda assim, as matrizes chinesas registram salto expressivo em patentes após aquisições no exterior.
Contexto e método
A pesquisa é coordenada por Luc Laeven, do BCE, com participação de acadêmicos de Georgetown e Nanyang Technological University. O trabalho usa dados micro de diversas fontes para rastrear a propriedade de ativos.
Segundo os autores, a estratégia de longo prazo da China busca internalizar tecnologia. O estudo aponta que, ao primeiro ano de aquisição em um mercado desenvolvido, o total de patentes de matrizes chinesas cresce significativamente.
Resultados econômicos
Os ativos controlados por chineses expandiram-se a 3% dos ativos globais de 2021, com crescimento anual de 20% desde 2012. A maior parte dos investimentos ficou na Europa (42%) e na América do Norte (38%).
A equipe aponta impacto nos lucros: retorno médio sobre ativos caiu 1,1 ponto percentual em relação a empresas não chinesas. Em comparação, o retorno médio mundial de ativos fica ao redor de 4%.
Implicações
O estudo sugere que parte dos recursos busca desvio de lucros e potenciais benefícios fiscais. Além disso, destaca o papel da transferência de tecnologia na formação de capacidades domésticas, ainda que os efeitos imediatos em patentes sejam limitados.
Os autores ressaltam que a China mantém uma estratégia estatal de domínio tecnológico, mesmo diante de ganhos de curto prazo não ambiciosos. A conclusão reforça o eixo entre interesses de longo prazo e capacidades nacionais.
Panorama global
A China já representa cerca de 17,3% do PIB mundial e 11,6% do comércio global. A pesquisa oferece leitura sobre como o país utiliza aquisições externas para fortalecer o eixo tecnológico doméstico, um tema relevante para políticas de investimento e inovação internacional.
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