- A Berkshire Hathaway realizou a primeira reunião anual sem Warren Buffett no palco, com público menor e leitura de que, sem Buffett, Omaha perde a graça.
- O novo CEO, Greg Abel, mostrou perfil mais disciplinado e focado em processos e eficiência operacional, com pautas centradas em desempenho, execução e alocação de capitais, destacando BNSF Railway e NetJets.
- A meta é reduzir o gap operacional frente aos pares, sendo a BNSF o maior desafio; a NetJets já percorreu boa parte desse caminho.
- A empresa avança com aposta tecnológica interna para fechar o gap, inspirada na mesma estratégia que a GEICO adotou há quatro anos.
- O caixa líquido encerrou 2025 em torno de US$ 380 bilhões; há debate sobre diversificação de carteira e o papel do seguro e do *float*, com Ajit Jain apontando redução de underwriting para precificar melhor o risco.
A Berkshire Hathaway realizou sua primeira reunião anual sem Warren Buffett no palco, em Omaha, Nebraska. O encontro teve uma participação menor em comparação aos anos anteriores, sinalizando a transição rumo à nova gestão.
Greg Abel, já CEO, foi apresentado como o foco da nova etapa. Investidores esperavam maior disciplina, processos mais rigorosos e maior eficiência operacional em relação ao estilo anterior. A plateia acompanhou um tom mais direto, com menos digressões históricas.
Katie Farmer e Adam Johnson foram apresentados como responsáveis pela BNSF Railway e pela NetJets, respectivamente, evidenciando as prioridades operacionais do grupo. A empresa pretende reduzir o gap de desempenho da BNSF em relação aos pares, enquanto a NetJets já avançou nesse processo.
Nova direção e estratégias
Buffett destacou que escolheu Abel pela capacidade de gestão, não por traços de cordialidade. A sinalização indica uma virada de ênfase para resultados e governança mais estrita. A tolerância com quedas de desempenho deve diminuir sob a nova gestão.
O conglomerado, com caixa líquido de cerca de US$ 380 bilhões no fim de 2025, enfrenta limitações de atuação conforme cresce. A Berkshire depende cada vez menos de uma única pessoa para decisões de investimento. A estrutura atual busca maior robustez institucional.
A área de seguros, que representa parte significativa do earnings power, continua a sustentar o capital investido em diferentes operações. O float, em torno de US$ 180 bilhões, financia as demais atividades do grupo. Ajit Jain lidera a redução de underwriting para ajustar o risco.
Mercado e diversificação
Debates sobre diversificação ganharam espaço, com referências a retornos históricos de grandes caps versus mercados fora dos EUA. O debate ocorre à luz de altas avaliações de tecnologia e do papel relativo das large caps na carteira. O grupo avalia cenários para balancear risco e retorno.
A Berkshire mantém a sua tradição de atuar como seguradora, com operações que impactam o conjunto de resultados. Mesmo com mudanças iminentes, a empresa continua a explorar oportunidades de investimento compatíveis com a nova direção.
Buffett também reiterou a importância de princípios como a Golden Rule e o entendimento de que o milagre americano precisa ser protegido proativamente. As mensagens reiteradas fornecem um fio condutor para a gestão atual e futuras decisões.
O relatório aponta que o cenário tecnológico continua a influenciar a avaliação de ativos. A Berkshire busca equilíbrio entre manter seu perfil conservador e aproveitar oportunidades de crescimento, especialmente em áreas com maior eficiência operacional.
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