- Capital global voltou a mirar o Brasil, em meio à reorganização de cadeias produtivas e busca por investimentos de longo prazo.
- A participação brasileira na Brazilian Week 2026, em Nova York, sinaliza interesse externo, mas exige que o país converta radar em investimentos reais.
- O economista Carlos Honorato aponta que o Brasil tem ativos como energia, alimentação e indústria, mas precisa reduzir burocracia e planejamentos de longo prazo falhos.
- Diferenciar fluxo financeiro de investimento produtivo é essencial: entradas de curto prazo não asseguram crescimento; é preciso projetos, infraestrutura e capacidade instalada.
- A reforma tributária pode melhorar a leitura de investidores, desde que implemente mudanças com segurança jurídica e sem resolver sozinha o custo Brasil, mantendo foco em infraestrutura e previsibilidade regulatória.
O capital global voltou a ocupar espaço relevante no Brasil, em um momento de reorganização das cadeias produtivas e de acirramento da disputa por mercados. O tema ganha corpo com a Brazilian Week 2026 em Nova York, onde o país mostra sua capacidade de atrair capital, tecnologia e integração produtiva.
No BM&C Strike, a apresentadora Paula Moraes recebeu o economista Carlos Honorato para debater se o Brasil está preparado para converter atenção externa em investimento produtivo. A conclusão central é de que o país está no radar, mas precisa melhorar competitividade, previsibilidade e capacidade de execução.
Capital global exige fundamentos, produção e estratégia, afirmou Honorato. O cenário atual não é mais de liquidez fácil, mas de foco em custo de produção, produtividade e segurança de suprimentos. Mudanças marcaram o câmbio na geopolítica e na atuação de cadeias.
Avaliando ativos nacionais, o economista cita energia, produção de alimentos, recursos naturais e um mercado consumidor em desenvolvimento. Ainda assim, destaca entraves como burocracia, regulação lenta e planejamento de longo prazo frágeis, que limitam a atuação com tranquilidade.
Para competir por capital, o Brasil precisa agir com velocidade, reduzir gargalos e estruturar uma agenda de Estado voltada à produtividade. O país deve passar da postura reativa a uma estratégia proativa em relação a investimentos.
Uma diferença-chave discutida foi entre fluxo financeiro e investimento produtivo. Entradas de capital de curto prazo não equivalem a confiança estrutural. Investimento produtivo envolve fábricas, infraestrutura e tecnologia que ampliam a capacidade econômica.
Honorato ressalta que o Brasil precisa atrair capital que permaneça no país e contribua para a formação bruta de capital. Essa orientação é essencial para transformar o interesse internacional em crescimento sustentável.
A reforma tributária aparece como fator relevante para atrair investidores. A simplificação pode aproximar o sistema de padrões internacionais, especialmente com a adoção de uma lógica de imposto sobre valor agregado. A implementação, porém, é decisiva.
Na relação Brasil-EUA, o foco não é apenas a balança comercial, mas a integração produtiva. O Brasil já participa de cadeias relevantes para companhias americanas, com produtos e insumos que entram no processo produtivo dos Estados Unidos. Barreiras podem impactar ambas as partes.
Honorato recomenda pragmatismo nas relações com China e Estados Unidos, evitando alinhamentos automáticos. O Brasil deve negociar com base em seus interesses, reconhecendo ativos produtivos, mas enfrentando problemas internos. A China mantém peso pela produção, enquanto os EUA aparecem pela integração industrial e tecnológica.
O desafio atual é transformar o radar de capital global em execução de projetos, infraestrutura, tecnologia e educação que elevem a produtividade. A cobertura especial da BM&C News acompanha a Brazilian Week 2026, em Nova York, para entender esse movimento.
Oferecimento: Sistema Indústria. A indústria cria. A indústria é mais Brasil.
Entre na conversa da comunidade