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Desenrola 2.0 e FGTS atrasam planos do setor imobiliário para 2026

Desenrola 2.0 libera até 20% do FGTS para quitar dívidas, com potencial impacto negativo em empregos, obras e arrecadação do setor imobiliário em 2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR
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  • Desenrola 2.0 autoriza o uso de até 20% do saldo do FGTS para abatimento de débitos, com transferência direta da Caixa para o credor.
  • O programa foca pessoas de baixa e média renda (salário até cinco salários mínimos) e pode usar o FGTS na compra de imóveis ou em financiamentos subsidiados pelo Minha Casa, Minha Vida.
  • A ABRAINC estima que saques entre R$ 4,5 bilhões e R$ 8,2 bilhões do FGTS podem eliminar entre 59 mil e 107 mil empregos no sistema habitacional e impedir entre 25 mil e 46 mil acessos a unidades.
  • A CBIC afirma que novas liberações do FGTS elevam a incerteza para o setor de construção, afetando o programa habitacional e aumentando custos diante de juros, petróleo, reforma tributária e jornada de trabalho.
  • No mercado, ações de imobiliárias caíram, com MRV, Cyrela e Cury entre as maiores quedas do Ibovespa; Direcional também retrocedeu, enquanto Plano & Plano registrou alta.

O Desenrola 2.0, anunciado pelo governo nesta segunda (4), altera o uso do FGTS ao permitir a retirada de até 20% do saldo para quitar dívidas. A medida envolve transferência direta da Caixa para o banco credor e mira cortes de juros rotativos.

O objetivo é reduzir o endividamento de famílias com renda de até cinco salários mínimos, apoiando créditos vinculados ao Minha Casa, Minha Vida ou ao FGTS na compra de imóveis. A proposta repercute no mercado imobiliário e no crédito ao consumidor.

O setor tem observado impactos potenciais na geração de empregos, na atividade de obras e na arrecadação. Parte das previsões aponta para efeitos cascata no crédito, nos empregos diretos e indiretos, e no PIB ligado à habitação.

Reação de entidades

A ABRAINC avalia que a saída de recursos do FGTS pode frear a geração de empregos no segmento habitacional. Estima impactos de 59 mil a 107 mil vagas diretas e indiretas, além de 25 mil a 46 mil famílias sem acesso a moradias.

A associação aponta ainda perda de arrecadação entre 1,4 bilhão e 2,4 bilhões e possível redução no PIB de até 10,7 bilhões, devido à menor atividade no setor. Acrescenta que o efeito multiplicador da habitação é relevante para a economia.

Para a CBIC, a liberação de recursos do FGTS aumenta a incerteza no setor de construção. O grupo cita impactos sobre o programa MCMV, custo de obras, juros elevados e mudanças na tributação como fatores de risco.

Alguns grupos ouvidas pelo InfoMoney não comentaram. Empresas expostas aos programas de habitação reduziram valores na Bolsa, com quedas registradas em Cyrela, MRV, Cury e Direcional, enquanto Plano & Plano apresentou alta.

Contexto e antecedentes

O anúncio ocorre em meio à diminuição da Selic, que caiu para 14,50%. O setor já enfrentava pressão de juros altos, custo de obras e incertezas regulatórias. O FGTS já havia sido utilizado em outras ações de saque para endividamento público.

Especialistas ressaltam que o Desenrola 2.0 não é a primeira iniciativa a recorrer ao FGTS para equilibrar orçamento familiar. Medidas anteriores incluíram saques de contas inativas e o saque-aniversário, aplicados em outras fases econômicas.

O tema aumenta a discussão sobre diversificação de fontes de financiamento imobiliário. O SBPE segue como principal modalidade, mas tem mostrado sinais de drenagem por saques da poupança, elevando o interesse por alternativas de crédito.

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