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Desenrola exige transparência e orientação ao consumidor, afirma Idec

Idec aponta que o Novo Desenrola Brasil pode reorganizar dívidas com até 90% de desconto e juros de 1,99% ao mês, mas exige regras claras e orientação ao consumidor

Ione Amorim, economista e consultora em serviços financeiros e endividamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) — Foto: Divulgação
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  • Novo Desenrola Brasil pode ajudar famílias a reorganizar finanças, com foco em dívidas bancárias de curto prazo, especialmente cartão de crédito e cheque especial.
  • A proposta prevê renegociação com taxas de até 1,99% ao mês e descontos de até 90%, o que pode aliviar o orçamento das famílias.
  • Economista Ione Amorim destaca a necessidade de regras claras e critérios de desconto, cálculo das dívidas e canais de orientação; critica uso do FGTS na renegociação.
  • Mudanças no crédito consignado: fim da margem exclusiva para cartão consignado e benefício, e limite de 40% da margem total do benefício do INSS.
  • Para enfrentar o endividamento, são apontadas três frentes: renegociação coletiva, educação financeira e maior disciplina na oferta de crédito; preocupação com o respeito à capacidade de pagamento.

O Novo Desenrola Brasil é avaliado pelo Idec como uma proposta que pode ajudar famílias a reorganizar a vida financeira, mas ainda precisa de maior transparência. A economista Ione Amorim ressalta que o foco do novo modelo é estrutural, com ênfase em dívidas de curto prazo de bancos, como cartão de crédito e cheque especial.

Para ela, a renegociação pode oferecer fôlego financeiro. Taxas de até 1,99% ao mês e descontos de até 90% podem aliviar o orçamento, especialmente em dívidas com juros que incidem sobre o saldo. A possibilidade de estruturar a dívida é destacada como ganho potencial.

Apesar disso, a especialista destaca a necessidade de regras claras. Critérios de desconto, cálculo das dívidas e a capacidade de pagamento precisam ficar bem definidos para evitar falhas na implementação.

Potencial e condições para adesão

A analista aponta que o sucesso do programa depende da existência de canais de orientação ao consumidor durante a renegociação. Ela indica que o processo atual pode deixar o público vulnerável diante de acordos financeiros.

Outra mudança relevante envolve o crédito consignado: o fim da margem exclusiva para o cartão consignado e para benefícios do INSS, além de reduzir o teto de consignação total do benefício, são apontados como avanços para reduzir o comprometimento da renda.

Amorim contextualiza o cartão de crédito consignado como um instrumento problemático desde a origem, com uso de juros ainda elevados e prática de manter saldos com pagamento mínimo. Ela afirma que a reforma pode reduzir distorções, mas sustenta cautela quanto a impactos operacionais.

A especialista defende três frentes para enfrentar o endividamento no país: renegociação coletiva, educação financeira e disciplina na oferta de crédito. O Novo Desenrola é visto como um passo inicial, capaz de tirar famílias do sufoco, desde que haja crédito concedido de forma sustentável e compatível com a capacidade de pagamento.

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