- Digi Spain aumentou a penalidade por rompimento de contrato de permanência de 60 euros para 100 euros, com cobrança prorrateada conforme os dias restantes de um contrato de 90 dias.
- A medida busca impedir a fuga de clientes diante de tarifas “anti‑Digi” da concorrência, em meio a uma taxa de churn móvel de 10,5% em dezembro de 2025.
- Dados da Nae e da CNMC divergem sobre o churn: Nae aponta maior vulnerabilidade frente ofertas agressivas; CNMC registra 9,42% no fim de 2025, contra 10,46% da Vodafone e 4,9% da Movistar.
- Em 2025, Digi atraiu 994 mil abonados por portabilidade; ARPU móvel foi de 4,99 euros mensais, enquanto ARPU global de fibra caiu para 17,1 euros.
- A empresa tem 8,2 milhões de lares com fibra própria; 152 mil altas netas no quarto trimestre; demonstra expansão com 504 estações base 5G.
Digi Spain endureceu as regras de permanência em seus contratos de fibra, aumentando as penalidades por rescisão antecipada em 66%. A medida visa conter a fuga de clientes diante de tarifas agressivas de rivais. O ajuste ocorreu em meio a dados do Barômetro Telco elaborado pela Nae (Minsait-Indra) sobre 2025, e é parte de uma resposta à alta rotatividade na base de clientes da operadora.
Segundo o levantamento, Digi registrou churn mensal de 10,5% em dezembro de 2025 na mobile, após pico de 11,4% em outubro. Em comparação, Telefónica teve 3,5%, Vodafone 8,6% e Masorange 7,9%. A operadora ressalta, no entanto, que, no padrão do setor, mantém o melhor índice de rotação na banda larga, com churn de 15,8%, ante 16% a 22% de concorrentes. Dados da CNMC, por fim, apontam churn móvel de 9,42% para Digi em 2025, frente a 10,46% da Vodafone, 10,29% da Masorange e 4,9% da Movistar.
Mudança de estratégia e contexto competitivo
A divergência entre Nae e CNMC evidencia o desafio de Digi: a empresa captura dezenas de milhares de linhas por mês com portabilidade, mas tem a retenção comprometida pela guerra de preços. Em 2025, a operadora acumulou 994 mil portabilidades de banda larga e móvel. A concorrência lançou tarifas “anti-Digi”, com descontos agressivos para clientes que migraram de Digi, especialmente para fibra de 300 ou 600 Mbps a cerca de 20 euros mensais no primeiro ano.
Para reagir, Digi elevou a penalidade por quebra de contrato de 3 meses para 100 euros, calculados de forma proporcional aos dias restantes dos 90 dias de fidelidade. Condições de não devolução de equipamentos permanecem: 50 euros para routers padrão e 150 euros para dispositivos Pro-Digi de 10 Gbps. A operadora sustenta que o ajuste alinha o custo com a alta de instalação, gastos não cobrados no início do contrato. Do setor, ouvidas apontam que o incremento compensa a aquisição de clientes em um ambiente de margens cada vez mais estreitas.
Desempenho financeiro, rede e estratégia
O ARPU móvel da Digi ficou em 4,99 euros mensais no total do quarto trimestre, contra 12,76 euros da Telefónica. O gap reforça a necessidade de escala para manter lucratividade. Já o ARPU de fibra caiu para 17,1 euros, impactado pela política de preços baixos adotada pela Digi. Ao fim de 2025, a empresa alcançou 8,2 milhões de domicílios com fibra própria, com 152 mil altas líquidas no quarto trimestre, superando concorrentes como Telefónica e Masorange.
A estratégia de rede envolve acordos com parceiros como Onivia e o posicionamento de 504 estações base 5G. O perfil do cliente Digi é o que realiza maior demanda pela rede, com consumo médio de 19,33 GB mensais, posicionando a operadora como a que utiliza intensivamente a infraestrutura. A análise de Nae aponta um horizonte de maior proteção de carteira frente a ofertas personalizadas de rivais, após a recente suspensão da operação de saída à bolsa pela Digi.
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