- Lula visita Washington para discutir Pix, o fim de tarifas remanescentes e investimentos em minerais críticos, com encontro previsto para quinta-feira, 7 de maio.
- Será a primeira visita oficial do presidente brasileiro ao atual chefe de Estado dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu terceiro mandato.
- Às vés de preparativos, o tema Pix preocupa autoridades dos EUA, que investigam o sistema por questões de práticas comerciais; o Brasil nega discriminação e defende soberania nacional.
- Técnicos brasileiros buscam reduzir ou eliminar tarifas sobre exportações brasileiras ainda em vigor, avaliando que cerca de 29% das exportações aos EUA podem estar sujeitas a tarifas adicionais.
- Minerais críticos, como terras raras, estão na pauta: EUA desejam acesso facilitado a investimentos e licenças, enquanto o Brasil defende maior agregação de valor e controle estatal sobre esses projetos.
O governo brasileiro prepara upload de temas para a conversa com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante visita oficial a Washington na quinta-feira. Entre os assuntos em pauta estão o Pix, o fim de tarifas remanescentes e investimentos em minerais críticos. A viagem de Lula ocorrerá sem anúncio oficial oficial sobre a agenda completa.
Segundo apurações, a equipe econômica tem pelo menos três tópicos centrais: a avaliação de investigações norte-americanas sobre o Pix, a redução das tarifas que ainda pesam sobre exportações brasileiras e a cooperação em minerais críticos. A confirmação oficial depende da orientação da Casa Branca para a reunião.
A agenda da viagem foi desenhada por ministérios como Fazenda, MJSP, MRE e MDIC, com preparação que se estendeu por meses. Ainda não há confirmação de que todos os itens serão discutidos no encontro, cuja definição pode depender de condições políticas e diplomáticas.
Pix na mira de Trump
O Pix figura entre as pautas técnicas mais discutidas pela delegação brasileira. O governo brasileiro contesta medidas comerciais dos EUA com base na suposta discriminação contra empresas norte-americanas que atuam no Brasil, afirmando que o Pix é utilizado por instituições nacionais.
Em julho do ano passado, o USTR abriu investigação sobre práticas brasileiras sob a seção 301 e incluiu o Pix entre itens sob análise. O Brasil negou qualquer discriminação e destacou uso por empresas estrangeiras, incluindo Google, no ecossistema financeiro nacional.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil ressaltam que, apesar das medidas, os EUA não teriam jurisdição direta sobre o Pix. As ações possíveis, se houver retaliação, passariam pela esfera comercial e por ajustes de acordos existentes, conforme a legislação de comércio dos EUA.
Guerra tarifária
Técnicos brasileiros buscam reduzir ou eliminar as tarifas remanescentes sobre parte das exportações ao mercado norte-americano. Estima-se que cerca de 29% das exportações brasileiras estejam sujeitas a tarifas adicionais, segundo o MDIC.
Em 2025, EUA aplicaram tarifa de 10% e, posteriormente, 40% sobre diversos produtos. Em 2026, houve queda parcial, com ajustes após decisões judiciais nos EUA. O Brasil busca ampliar flexibilizações para setores estratégicos, como máquinas industriais e revestimentos.
Dados da Amcham Brasil indicam queda na participação das exportações brasileiras aos EUA no primeiro trimestre, para US$ 7,8 bilhões e 9,5% das exportações total. A dupla negociação visa melhorar o acesso a esse mercado sem prejudicar o seu ambiente de comércio.
Minerais críticos
Entre os itens de maior relevância para ambos os lados estão minerais críticos, incluindo terras raras. O Brasil detém grandes reservas, ficando atrás apenas da China, o que atrai interesse norte-americano para projetos de mineração e processamento.
Os EUA defendem maior acesso a jazidas e processo de licenciamento mais ágil, com menor burden regulatório para investimentos estrangeiros. O Brasil defende maior valor agregado, com incentivos a beneficiamento local antes da exportação.
A proposta norte-americana de memorando de entendimento sobre minerais críticos foi apresentada no início do ano, segundo fontes, mas ainda não recebeu resposta oficial. O governo brasileiro tem sinalizado cautela quanto a acordos que imputem prioridade a exportações ao país.
Uma operação de peso já se efetivou: a aquisição da Serra Verde pelos EUA, por cerca de US$ 2,8 bilhões, com participação da USA Rare Earths. Investimentos públicos norte-americanos também fizeram aportes relevantes no setor, impulsionando o interesse por terras raras.
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