- Lula fará visita oficial a Washington na quinta-feira, sete de maio, para encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
- Entre os temas em discussão, estão Pix, o fim das tarifas remanescentes do tariffação e investimentos em minerais críticos.
- A agenda foi preparada por integrantes de pelo menos quatro ministérios e depende da “temperatura” da reunião na Casa Branca para fechar os assuntos.
- No Pix, Brasil busca evitar medidas comerciais dos EUA, enquanto Washington cita o tema em relatórios de barreiras comerciais.
- Em minerais críticos, EUA desejam acesso a jazidas e menor entrave a investimentos, enquanto o Brasil defende maior valor agregado e controle estatal; há iniciativas como aquisição de Serra Verde e o projeto Cofre.
O governo brasileiro negocia com os Estados Unidos em Washington temas econômicos sensíveis, incluindo o Pix, o fim das tarifas remanescentes e o futuro dos minerais críticos. A visita de Lula a Trump ocorre em 7 de maio, em meio a conversas sobre relação entre as duas lideranças. Fontes indicam que o encontro pode abordar três pontos centrais da agenda econômica brasileira.
A viagem foi anunciada de última hora, e marca a segunda ida de Lula a Washington neste mandato. Será a primeira audiência oficial com o atual presidente americano, Donald Trump, segundo apuração da BBC News Brasil. A definição de pautas depende da temperatura da reunião conforme avaliação de interlocutores.
Pix na mira diplomática
O Pix aparece como ponto-chave entre técnicos do governo brasileiro e autoridades norte-americanas. O Brasil pretende evitar medidas comerciais dos EUA contra o sistema de pagamentos instantâneos, criado pelo Banco Central. A avaliação é de que o Pix não discrimina empresas estrangeiras.
O tema voltou a ganhar força após a abertura de investigações do Escritório de Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre práticas brasileiras. Em julho do ano passado, o USTR citou o Pix em ações de fiscalização sob a seção 301. A pasta afirma que o sistema é utilizado por instituições brasileiras que operam no mercado global.
Tarifaço ainda em pauta
Outra linha da pauta envolve o fim das tarifas que ainda pesam sobre exportações brasileiras. Técnicos do MDIC calculam que pelo menos 29% dessas exportações estão sujeitas a tarifas adicionais dos EUA. A administração Trump implementou cobranças em 2025 para diversos produtos.
A decisão final sobre a retirada das tarifas depende de negociações durante a passagem de Lula por Washington. O contexto inclui mudanças recentes, como decisões da Suprema Corte dos EUA que impactaram parte do tarifaço. O impacto para o comércio brasileiro vareja conforme setores.
Minerais críticos no centro
Os minerais críticos, incluindo terras raras, são tema relevante para as negociações. Os EUA buscam acesso facilitado a projetos de mineração e flexibilização de licenças ambientais, especialmente para terras raras. O Brasil defende maior controle estatal e agregação de valor na cadeia produtiva.
O governo brasileiro aponta que tem reservas significativas de minerais críticos, com destaque para terras raras. A China detém grande parte das reservas conhecidas e do refino, o que coloca o Brasil como possível parceiro estratégico. Estados Unidos têm interesse em diversificar fornecimentos.
Consciência estratégica e investimentos
Nos últimos meses, o governo norte-americano avançou em iniciativas para ampliar o acesso a minerais críticos, incluindo aquisições como a Serra Verde, vendida à USA Rare Earths por cerca de US$ 2,8 bilhões. A operação ocorreu após investimento prévio da Corporação Internacional de Desenvolvimento dos EUA (DFC).
Além disso, Washington tem firmado acordos com governos estaduais para explorar minerais estratégicos, como ocorreu em Goiás com o apoio de Ronaldo Caiado. Interlocutores do governo brasileiro veem esses entendimentos como potenciais atalhos que não substituem políticas nacionais sobre minerais críticos.
Perspectivas e próximos passos
A definição de quais temas serão efetivamente discutidos ficará a cargo do embalo da reunião entre Lula e Trump. A Casa Branca ainda não divulgou posicionamento oficial sobre a agenda. O governo brasileiro enfatiza que as discussões devem respeitar soberania nacional e buscar benefícios para o Brasil.
As informações indicam que a agenda econômica brasileira para a visita está em estágio avançado, com a participação de ministérios da Fazenda, MJSP, MRE e MDIC. A expectativa é de que haja sinais sobre cooperação tecnológica, comércio e investimentos.
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