- O Conselho de Estabilidade Financeira divulgou um relatório sobre crédito privado, apontando que saúde, serviços e tecnologia são os maiores tomadores, incluindo firmas de IA.
- Em dois mil e vinte e cinco, a indústria de IA representou mais de um terço dos negócios de crédito privado, subindo de treze por cento nos cinco anos anteriores.
- O FSB alerta que o foco setorial pode deixar fundos de crédito privado vulneráveis a choques específicos de região ou indústria, elevando o risco de perdas.
- Riscos incluem correção acentuada de valuations e atrasos ou cancelamentos de projetos caso haja queda na oferta de energia para datacenters, o que pode reduzir retornos.
- O relatório cita o colapso de duas empresas de crédito privado nos Estados Unidos, Tricolor e First Brands, destacando a estreita relação entre bancos e o setor de crédito corporativo.
O Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) alerta para riscos crescentes no mercado de crédito privado, após apontar que esse segmento está alimentando o ciclo de expansão da IA. O relatório recente observa que setores de saúde, serviços e tecnologia lideram a captação de recursos, incluindo empresas de IA, para financiar datacenters e infraestrutura.
De acordo com o FSB, as operações com crédito privado representam uma fatia relevante do financiamento externo ao sistema bancário tradicional, com a IA respondendo por mais de um terço dos negócios em 2025. O aumento vem em meio a avaliações de ativos que avançaram rapidamente nos últimos anos.
O documento destaca que esse enfoque setorial pode expor fundos de crédito privado a riscos idiossincráticos, além de ampliar a vulnerabilidade a choques regionais ou setoriais específicos. A instituição aponta que uma correção aguda no valor dos ativos pode gerar perdas expressivas para investidores.
Outro ponto é a dependência de eletricidade na construção e operação de datacenters. A queda ou atraso no suprimento elétrico poderia atrasar projetos ou levar ao cancelamento de investimentos, segundo o relatório.
O FSB também alerta para o risco de excesso de oferta de datacenters diante de avaliações elevadas, o que pode reduzir os retornos para investidores de crédito privado e impactar avaliações de empresas ligadas à IA.
Riscos e impactos
O relatório associa a expansão do crédito privado a preocupações sobre empréstimos potencialmente arriscados, emitidos por firmas fora do sistema bancário tradicional. Nos últimos anos, ocorreram saídas de capital de algumas estruturas de crédito privado, levando à limitação de saques por parte de alguns clientes.
Embora defensores afirmem que credores privados oferecem monitoramento de riscos e condições de financiamento mais personalizadas, o FSB ressalta que tomadores de crédito privado costumam ter scores de crédito mais baixos e dívidas maiores que os usados em empréstimos bancários tradicionais.
Há ainda uma integração crescente entre bancos tradicionais e o setor de crédito privado, com instituições financiando fundos, portfólios de risco e empresas que também recorrem a esse tipo de financiamento. Isso amplia a exposição de bancos a um setor com informações de devedores menos transparentes.
O documento cita o colapso de duas companhias americanas ligadas a crédito privado no ano passado, Tricolor e First Brands, que enfrentaram acusações de fraude. Os episódios destacam a sensibilidade do sistema bancário a exposições complexas em crédito corporativo.
Banks como JP Morgan, Barclays, UBS e Jefferies reportaram impactos decorrentes desses casos, reforçando a interligação entre bancos e o mercado de crédito privado. O FSB observa que tais falências evidenciam a estreita rede de contatos entre credores e emissores de crédito corporativo.
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