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Demanda por cuidadores na América Latina deve dobrar até 2050, diz OIT

Demanda por cuidadores na América Latina pode dobrar até 2050, atingindo 15,2 milhões para atender idosos em situação de dependência

Organização alerta que envelhecimento da população ampliará necessidade por profissionais de cuidados (Foto: Carlos Jasso/AFP/Getty Images)
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  • A demanda por cuidadores na América Latina deve dobrar até 2050, passando de 7,5 milhões em 2023 para 15,2 milhões.
  • Em nível mundial, a procura por profissionais de cuidados de longa duração sobe de 85,2 milhões em 2023 para 158,1 milhões em 2050.
  • A região mostra aumento da população com 65 anos ou mais, cuja participação deve passar de 10,4% em 2025 para 16,3% em 2050.
  • Chile, Costa Rica e Uruguai são citados como particularmente impactados pela transição demográfica na região.
  • A OIT ressalta que muitos cuidadores são familiares não remunerados e que condições de trabalho, salários e proteção social costumam ser limitados.

A demanda por cuidadores na América Latina deve dobrar até 2050, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O aumento acompanha o envelhecimento populacional e mudanças demográficas que impactam o mercado de trabalho regional. A projeção envolve atender pessoas com 65 anos ou mais em situação de dependência.

A OIT estima salto de 7,5 milhões para 15,2 milhões de trabalhadores nesse setor na região até 2050. Globalmente, a demanda por profissionais de cuidados de longa duração deve subir de 85,2 milhões em 2023 para 158,1 milhões em 2050. A fatia de idosos na população também cresce, previsto de 10,4% em 2025 para 16,3% em 2050.

No panorama regional, o envelhecimento afeta de forma mais intensa Chile, Costa Rica e Uruguai, segundo o relatório. Ainda assim, nenhum país da região fica alheio à tendência, aponta o documento da OIT. A transição demográfica, com baixa fecundidade e maior expectativa de vida, impulsiona a demanda por cuidados.

Mercado de trabalho em transformação

A OIT aponta que a digitalização, a IA e a transição ecológica redesenham os mercados. A América Latina e o Caribe precisam colocar a aprendizagem permanente no centro das políticas públicas para reduzir desigualdades advindas dessas mudanças.

Segundo a organização, sem sistemas de formação sólidos, inclusivos e bem financiados, as transformações podem ampliar desigualdades entre países e dentro deles. A necessidade de perfis com competências integradas é crescente.

Ana Virginia Moreira Gomes, diretora regional da OIT, destaca a importância de conectar oportunidades atuais às futuras. Investimentos em formação inclusiva são considerados essenciais para uma transição justa na região.

Desafios e condições de trabalho

A OIT ressalta que, hoje, muitos cuidadores ainda enfrentam baixos salários, longas jornadas, sobrecarga de trabalho e proteção social limitada. Além disso, há maior exposição à violência e ao assédio no setor.

A demanda por cuidadores pode superar a oferta de profissionais formais se a participação de familiares não remunerados permanecer alta. Em várias regiões, esse fenômeno sustenta o peso do cuidado, com impactos na participação feminina no mercado de trabalho.

O relatório enfatiza que o cenário exige políticas públicas para formação contínua, valorização profissional e melhoria das condições de trabalho. A meta é reduzir lacunas entre demanda e oferta, mantendo a qualidade do cuidado.

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