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Disputa na CVM envolve milhões vs trilhões

Audiência no STF expõe falhas da CVM e risco de captura; CACR11 cai 40% e estrutura ausente pode ampliar perdas no mercado de capitais

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  • Audiência pública no STF sobre a estrutura da CVM expõe falhas de fiscalização e revela a fragilidade da autarquia no mercado de capitais brasileiro.
  • As cotas do fundo imobiliário CACR11 caíram aproximadamente 40% na bolsa durante a sessão, após o anúncio de suspensão dos rendimentos aos cotistas.
  • A CVM não conseguiu julgar processos neste ano, e há críticas à capacidade de fiscalização e à atuação de entidades de autorregulação.
  • O texto destaca que, entre os fundos, existem mais de 31 mil carteiras, mas poucos chegam a cinco mil de fato regulamentadas; o restante serve a reduzir custos, pagar menos impostos ou ocultar investidores.
  • Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) passaram a atuar como bancos fora da supervisão do Banco Central, aumentando o risco para o sistema financeiro.
  • O ministro Flávio Dino alerta que, sem mudanças, a CVM seguirá com orçamento de milhões para enfrentar problemas que podem chegar a trilhões; reforça a necessidade de qualificação dos servidores.

Na audiência pública do STF, convocada pelo ministro Flávio Dino, a discussão sobre a estrutura da CVM expôs falhas de fiscalização no mercado de capitais brasileiro. O encontro revelou problemas de funcionamento da autarquia diante de controvérsias regulatórias e de conduta no setor.

Durante as falas, representantes de associações de empresas de capital aberto, instituições financeiras e especialistas apresentaram diagnósticos sobre a competição entre regras e atuação regulatória. A sessão, marcada por cobranças sobre prazos e apurações, destacou limitações da CVM.

Para ilustrar o quadro, o fundo imobiliário CACR11 registrou queda de 40% em sua cotação na bolsa durante a audiência, após anunciar a suspensão do pagamento de rendimentos mensais aos cotistas. O movimento acendeu dúvidas sobre a solidez de ativos da carteira e a continuidade de operações.

A discussão também evidenciou a morosidade da CVM para julgar processos relevantes. O colegiado não conseguiu reunir-se para deliberar sobre casos no ano em curso, agravando a percepção de fragilidade institucional.

Desafios da fiscalização e riscos ao investidor

Especialistas destacaram a atuação de entidades que deveriam apoiar a fiscalização por meio de códigos de conduta para autorregulação, apontando falhas nesse front. O panorama envolve fundos de investimento, instrumentos de captação de recursos e estruturas para reduzir custos ou burlar regras.

Dados apresentados indicam que, entre mais de 31 mil carteiras de investimento, apenas menos de 5 mil correspondem a fundos regulamentados de fato. O restante pode ter finalidades diferentes, levando a dúvidas sobre proteção ao cotista e transparência.

A audiência também abordou fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC), regulados pela CVM, que passaram a operar como bancos fora do radar prudencial do Banco Central. O Velho cenário pode aumentar riscos para o sistema financeiro num cenário de endividamento familiar elevado.

Ainda segundo a discussão, existirão impactos regulatórios a serem avaliados para tornar o mercado mais eficiente, incluindo regras que possam reduzir custos e aumentar a clareza sobre a natureza de cada veículo de investimento. O objetivo é reduzir assimetrias informacionais.

Manoel Peixinho, do Sindicato Nacional dos Servidores da CVM, reforçou que aumentar o orçamento não basta; é necessário investir na qualificação e na motivação dos servidores. O caso requer melhoria de pessoal para avançar na fiscalização.

O ministro Flávio Dino ressaltou que, sem mudanças, a CVM continuará a trabalhar com orçamento limitado frente a riscos que podem chegar a trilhões de reais. A avaliação aponta para a necessidade de apoio externo para sustentar a instituição, sem previsão de soluções imediatas.

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