- Entre 2016 e 2025, o total de imóveis alugados no Brasil subiu de 12,2 milhões para 18,9 milhões, o que representa cerca de 55% de aumento; a participação de imóveis próprios caiu de 66,8% para 60,2%.
- A classe média sente o peso: entrada alta, financiamento com juros acima de 10% ao ano e dificuldade de poupar, mesmo com salários maiores, devido à inflação de serviços.
- O programa Minha Casa, Minha Vida ganhou importância para acesso à casa própria, e a faixa de renda até 13 mil reais passou a incluir mais famílias; no entanto, o crédito via SBPE caiu desde 2021.
- O aluguel ficou mais caro: índice FipeZap aponta alta de 8,63% nos 12 meses, com aluguel médio passando de 30,37 reais por metro quadrado em 2020 para 52,34 reais em 2025.
- Investidores e construtoras, com movimentos como multifamily e fundos de aluguel, passaram a mirar a demanda de metade da população, oferecendo imóveis menores, bem localizados e com renda de aluguel prevista entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil, enquanto o governo busca abrir caminhos com medidas públicas.
O sonho da casa própria fica cada vez mais distante para a classe média, enquanto o aluguel dispara. O fenômeno é observado em ritmo nacional, com impacto direto na vida de quem não tem patrimônio. Dados apontam aceleração da locação e dificuldade de entrada no mercado.
Entre 2016 e 2025, o número de imóveis alugados no Brasil subiu de 12,2 milhões para 18,9 milhões, um ganho de aproximadamente 55%. Mesmo com construção de imóveis em expansão, a própria parcela de domicílios próprios caiu para 60,2% em 2025.
Rafael Bezerra, professor particular de inglês, exemplifica o cenário: ele paga R$ 1.890 de aluguel em um 40 m² em Santa Cecília, São Paulo, enquanto planeja comprar. A entrada, o financiamento longo e o custo de vida dificultam a economia para o sonho do imóvel.
O Minha Casa Minha Vida ganhou fôlego e, com entrada maior de renda familiar, amplia o acesso a crédito com condições mais favoráveis. Dados apontam que o programa ocupa boa parte das novas unidades em cidades como São Paulo.
Apesar das mudanças, o custo da locação segue pressionado. O aluguel acumulou alta de 8,63% nos últimos 12 meses, segundo o índice FipeZap. Em março, o metro quadrado médio ficou em R$ 52,34, ante R$ 30,37 em 2020.
Aumentos de juros e crédito mais difícil atingem principalmente a classe média, que não recebe subsídios do segmento econômico. Economistas destacam que a combinação de renda estagnada e inflação maior reduz a capacidade de poupar para a entrada.
Mercado de aluguel ganha novos players e formatos. Investidores e gestores passam a ofertar unidades compactas e bem localizadas, com aluguel mensal elevado, mas sem exigência de entrada. Estúdios e apartamentos de um dormitório ganham destaque.
Além disso, fundos e modelos multifamily ampliam presença em cidades como São Paulo. Empresas privadas investem em unidades para aluguel, com foco em moradia de renda média, muitas vezes com preço de aluguel entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil.
Apesar do crescimento do aluguel como opção estrutural, especialistas ressaltam que o mercado ainda exige políticas públicas que reduzam o custo de crédito e ampliem o acesso à titularidade, especialmente para quem recebe renda média.
O papel do governo
Medidas recentes envolvem o Reforma Casa Brasil, com crédito habitacional voltado a soluções estruturais. O objetivo é facilitar reformas e ampliar moradias, buscando reduzir o custo de moradia para a população de renda média.
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