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Juros elevados pressionam endividamento das famílias, aponta Novo Desenrola

Selic alta e spreads elevam endividamento; Novo Desenrola oferece renegociação de dívidas, redução de juros e alívio no orçamento das famílias

Rio de Janeiro (RJ), 23/12/2025 – Consumidores fazem compras na antevéspera de Natal no Saara, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Bras
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  • Juros altos, com a Selic elevada e spreads bancários maiores, ajudam a elevar o endividamento das famílias, levando o governo a lançar o Novo Desenrola Brasil.
  • O spread bancário chegou a 34,6 p.p. em março, frente a 29,7 p.p. em março de 2025; o World Bank aponta média global de cerca de 6 p.p.
  • Na última reunião do Copom, a Selic foi reduzida para 14,5% ao ano, mas o patamar ainda é considerado elevado para controlar a inflação.
  • Pela CNC, o total de famílias com dívidas atingiu 80% em abril, novo recorde, e a taxa de inadimplência ficou em 29,7%.
  • O Novo Desenrola Brasil, com validade de 90 dias, prevê descontos de até 90%, redução de juros e uso do FGTS para abatimento de débitos.

O governo lançou nesta semana o Novo Desenrola Brasil para renegociação de dívidas, limpeza do nome e recuperação do acesso ao crédito. A medida ocorre em meio a juros elevados e alto endividamento das famílias. O foco é reduzir encargos, com descontos e uso do FGTS para abatimento.

Economistas vinculam o endividamento à taxa Selic elevada e aos spreads bancários, que pressionam os custos de crédito. Em março, o spread bancário ficou em 34,6 p.p., ante 29,7 p.p. em igual mês de 2025. O quadro agrava a captação de empréstimos pelas famílias.

Dados e contexto

A Selic, alta, sustenta juros cobrados por instituições, segundo especialistas. A professora Maria Lourdes Mollo, da UnB, afirma que juros altos dificultam o funcionamento da economia e elevam o endividamento das famílias, com impacto direto no orçamento mensal.

A taxa básica de juros reais do Brasil é de 9,3%, a segunda maior do mundo, ficando atrás apenas da Rússia. O México aparece na terceira posição, com 5,0%. O ranking considera juros acima da inflação, e o Brasil lidera entre grandes economias emergentes.

Impacto no endividamento

Pelo quarto mês consecutivo, 80% das famílias estavam endividadas em abril, conforme pesquisa da CNC, marcando nova máxima histórica. O contingente de inadimplentes ficou em 29,7%, com estabilidade.

Entre os que recebem até três salários mínimos, o endividamento é ainda maior: 83,6% estão endividados, e 38,2% têm contas em atraso, conforme a CNC.

Avaliação acadêmica

Especialistas destacam que o alto spread bancário é parte relevante da pressão. O ranking mundial de spreads aponta o Brasil como um dos maiores do planeta, acompanhado por alguns países em situação econômica distinta. O custo de crédito para famílias costuma ser bem superior ao observado em outros lugares.

A mesma leitura é sustentada por analistas da UFF, que apontam o spread elevado como fator central. A inadimplência elevada é citada como consequência, embora o ciclo de crédito também leve a mais endividamento para pagar dívidas anteriores.

Novo Desenrola em detalhes

O Novo Desenrola Brasil terá duração de 90 dias. A iniciativa oferece descontos de até 90%, redução de juros e possibilidade de usar o FGTS para abatimento de débitos. A proposta visa renegociação de dívidas, com foco em famílias, estudantes e pequenos empreendedores.

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