- Empresas investem em IA para ganhar eficiência, mas a maioria dos projetos não entrega o retorno esperado; o desafio é humano e organizacional, não tecnológico.
- A modernização dos fluxos de trabalho avança mais rápido do que a requalificação da força de trabalho, o que deixa as pessoas em segundo plano.
- Na América Latina, a adoção de ferramentas digitais é rápida, mas mudanças organizacionais ficam para trás; no Brasil, varejo, serviços financeiros e indústria já usam IA, porém com integração ainda limitada.
- Empresas que alinham tecnologia e capacitação vêm ganhando produtividade entre dez e quinze por cento, com EBITDA entre dez e vinte e cinco por cento conforme ganham escala.
- Cinco passos para o caminho: preparar líderes e equipes; não automatizar processos problemáticos; adotar força de trabalho híbrida; construir confiança; criar valor e elevar o desempenho por meio de melhorias contínuas.
A tecnologia não é o gargalo da IA. O que freia os projetos é a forma como as organizações lidam com a IA, não a própria ferramenta. Custos crescentes, envelhecimento da força de trabalho e concorrência aceleram apostas em automação e ganhos de eficiência.
Mesmo assim, a maioria dos projetos não entrega o retorno esperado. Os ganhos costumam ser pontuais: relatórios mais rápidos, menos tarefa manual e produtividade incremental, em vez de uma transformação ampla.
A adoção ocorre de forma desigual. Em várias lideranças, o foco na tecnologia ofusca o que realmente importa: as pessoas. A modernização de processos avança mais rápido que a de equipes e cultura, gerando ceticismo e adesão fraca.
Essa dissociação é visível em países da América Latina, onde ferramentas digitais se expandem, mas mudanças organizacionais ficam para trás. No Brasil, varejo, serviços financeiros e indústria usam IA, porém com integração ainda incompleta às rotinas.
O resultado é presença tecnológica sem impacto proporcional nos indicadores de negócio, com poucos casos em escala. Algumas empresas passam a investir tanto em tecnologia quanto em capacitação para manter as pessoas no centro.
Elas reorganizam processos antes de automatizar, fortalecem a proposta de valor para reter talentos e visam ganhos de produtividade entre 10% e 15%, com EBITDA entre 10% e 25% conforme a escala das iniciativas.
Para chegar a esse patamar, é preciso alinhar tecnologia, RH e operações, sincronizando fluxo de trabalho com desenvolvimento da equipe. Cinco caminhos ajudam esse avanço.
Prepare líderes e equipes
Líderes podem impor gargalo nas iniciativas de IA. A saída é formar equipes multidisciplinares que atuem como motor de mudança, integrando tecnologia, áreas de negócio, finanças e RH.
Não automatize processos problemáticos
Dívida de processos, como reuniões excessivas e aprovações desnecessárias, pode ampliar complexidade. Primeiro defina metas integradas de experiência, qualidade, custo e velocidade; só depois estruturar os processos.
Adote uma força de trabalho híbrida
O futuro envolve pessoas usando IA, agentes autônomos e, às vezes, robôs. Fluxos bem conectados distribuem tarefas onde geram mais valor, com decisões estratégicas humanas e governança constante.
Construa confiança
A adoção depende da confiança na tecnologia e na liderança. Investir em interação, teste e validação por usuários, além de observabilidade, ajuda a reduzir inseguranças sobre substituição de empregos.
Crie valor e eleve o nível de desempenho
Nova forma de trabalhar exige revisão contínua. Fluxos simplificados permitem ciclos de aprendizado entre pessoas e máquinas, elevando desempenho e eficiência de forma constante.
A IA transforma o trabalho aceleradamente, mas não se trata apenas de implementação. Trata-se de desenhar um sistema que integre estratégia, processos e talentos de forma coerente.
*Lucas Brossi é sócio da Bain e líder de Data & AI para a América do Sul*
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