- Bryan Catanzaro, vice-presidente de Applied Deep Learning da NVIDIA, afirmou que o compute da equipe de IA custa mais do que os salários dos engenheiros.
- A declaração foi dada em entrevista à Axios, publicada em 26 de abril de 2026, e prevê alto consumo de GPUs para treinar e iterar modelos.
- O Uber esgotou o orçamento anual de IA de 2026 em apenas quatro meses, impulsionado pelo Claude Code, ferramenta de codificação da Anthropic.
- A adoção de Claude Code cresceu de 32% para 84% entre os 5.000 engenheiros do Uber, com custos estimados entre US$ 500 e US$ 2.000 por engenheiro por mês.
- A Gartner projeta gastos globais em TI de US$ 6,31 trilhões em 2026, com o setor de Data Center Systems registrando o maior crescimento.
O custo com IA já supera o gasto com o quadro de funcionários na NVIDIA, segundo um executivo da empresa. Em entrevista à Axios publicada em 26 de abril de 2026, Bryan Catanzaro, VP de Applied Deep Learning, disse que a comunal de computação do seu time é maior do que o pagamento de engajados humanos.
O grupo liderado por Catanzaro foca em pesquisa de modelos de IA, pipelines de inferência e tecnologias como o DLSS para placas GeForce RTX. O uso intenso de GPUs, especialmente as unidades Hopper e Blackwell, sustenta as operações de treinamento e iteração de modelos.
Embora a declaração não detalhe se a comparação é total ou por engenheiro, o ponto técnico é claro: treinar e testar modelos exige clusters de GPUs 24 horas por dia, com consumo de energia, refrigeração e infraestrutura associados que crescem com o tamanho dos experimentos.
Compute supera salários, diz executivo
A fala ganhou relevância pelo peso da NVIDIA no cenário de IA. A empresa fabrica GPUs amplamente usadas na indústria, o que torna o custo de compute um fator crítico para orçamentos de P&D e desenvolvimento de produtos.
Uma análise da Fortune, após a entrevista, cita estudo do MIT em 2024 apontando que tarefas automatizáveis por IA geram custos totais de compute e de iteração superiores aos salários de humanos para o mesmo trabalho.
Uber esgota orçamento de IA em quatro meses
Outra evidência desse movimento aparece com o Uber. O CTO Praveen Neppalli Naga informou ao The Information que o orçamento anual de IA para 2026 foi esgotado em quatro meses, antes de maio.
O motivo foi a adoção acelerada do Claude Code, ferramenta de codificação assistida por IA da Anthropic implantada em dezembro de 2025 para 5 mil engenheiros. Adoção subiu de 32% para 84% do quadro em poucos meses, elevando o gasto com tokens entre US$ 500 e US$ 2.000 por engenheiro mensalmente.
O Uber encerrou 2025 com aproximadamente US$ 3,4 bilhões em P&D. O CTO afirmou que a empresa está revisando estratégias para conter o gasto sem perder a produtividade relatada pela equipe.
Contexto mundial de gastos com TI
A Gartner projeta gastos globais com TI em US$ 6,31 trilhões para 2026, alta de 13,5% sobre 2025. A categoria Data Center Systems é a que mais cresce, com previsão de US$ 788 bilhões em 2026.
Os dados indicam que software de IA generativa deve crescer mais que o dobro em relação a 2025, enquanto memória avançada aponta para pressões de preços em componentes.
Posicionamento da liderança da NVIDIA
O CEO Jensen Huang manteve discurso favorável à preservação de empregos durante a Milken Institute Global Conference, em maio. Ele argumentou que a IA cria empregos e que automação não elimina funções inteiras, ao menos segundo o recorte da fala.
Essa visão contrasta com sinais de redução de vagas no setor tecnológico, conforme pesquisas do Fórum Econômico Mundial e estudos de universidades, que indicam mudanças e redução de postos em algumas áreas.
Ao discutir custos, diretores financeiros passam a considerar o modelo de cobrança por token como despesa operacional recorrente, o que reforça a necessidade de planejar uso e orçamento com maior previsibilidade.
Fontes: Axios, Gartner, Fortune e The Information.
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