- O BRM (Brazilian Regional Markets) aponta que o Brasil está mal precificado, oferecendo uma janela de oportunidade para quem enxergar isso cedo.
- Cristiano Souza, fundador da Zeno Equity Partners, disse que voltou a investir no Brasil no fim de 2024 e início de 2025, com cerca de 25% do portfólio na América Latina, majoritariamente no Brasil.
- A tese central é de assimetria macroeconômica: riscos superestimados e retornos subestimados, especialmente em ações como Localiza, citada como exemplo de oportunidade.
- A discussão também envolve geopolítica de energia: o mundo estaria curto de energia enquanto a América Latina, especialmente Brasil e Argentina, possuiria capacidade excedente e maior estabilidade institucional.
- Souza critica a visão internacional de que a taxa de juros no Brasil está correta, apontando inflação brasileira em torno de quatro por cento vs. cerca de três por cento nos EUA, destacando o descompasso com os juros altos no Brasil.
O Brasil está sendo mal precificado pelo mercado, segundo gestores presentes no Brazilian Regional Markets (BRM) realizado em Nova York e promovido pela Apex Partners. O encontro reuniu investidores e empreendedores que destacaram oportunidades em meio ao pessimismo do momento.
Cristiano Souza, da Zeno Equity Partners, ressaltou a existência de assimetria macroeconômica, com riscos superestimados e retornos subestimados no Brasil. Ele informou que voltou a investir no país no fim de 2024, após quase uma década distante do mercado brasileiro, com realocação de parte do portfólio para a América Latina.
A participação de Souza na apresentação reforçou a visão de que o Brasil atravessa um ponto de mudança estrutural. O investidor citou a demanda por recursos naturais, a evolução da democratização do mercado de capitais e avanços científicos como vetores de oportunidade, especialmente frente a uma visão global de energias e geopolítica.
Assimetrias e cenário global
A tese defendida aponta que o mundo vive, hoje, escassez de energia em regiões como Ásia e Europa, enquanto a América Latina aparece com capacidade ociosa e recursos ainda não explorados. Em contrapartida, o Brasil seria um polo de estabilidade institucional para expansão de produção.
Outra linha discutida envolve a comparação entre inflação e juros no Brasil versus os Estados Unidos. Segundo os gestores, a inflação brasileira está em patamar próximo de 4%, com juros bem acima, o que ajuda a explicar o atraso de ativos brasileiros na esteira de ciclos globais.
Caminhos de investimento de longo prazo
Durante o evento, o debate também girou em torno da mudança cultural no mercado de capitais. Especialistas defenderam a migração de recursos da mentalidade centrada no CDI para um horizonte de investimentos com foco em patrimônio produtivo, akin a modelos de economias desenvolvidas.
O encontro reforçou que o Brasil pode oferecer retornos atrativos para quem observa riscos mal precificados. A previsão é de que novas posições ganhem espaço conforme o cenário interno e externo se alinhem de forma mais estável.
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