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Pobreza na Somália cresce enquanto xelins perdem valor rapidamente

Notas somalis rasgadas deixam comerciantes relutantes em aceitar a moeda; a economia dolarizada eleva preços de itens básicos e agrava a vida dos mais pobres

Muse Omar Jama, 49, in his Mogadishu office, beside stacks of banknotes. He complains that a decree that the shilling must be accepted is not being enforced.
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  • Traders em Mogadíscio passaram a não aceitar as notas de shilling somali, diante de uma economia cada vez mais dolarizada e com pagamentos por telefone.
  • O recuso às notas levou a aumentos de preços de itens comuns, como leite em pó, alimentos e transporte público, agravando o custo de vida.
  • A seca e a alta de preços internacionais de alimentos ampliam o peso sobre os mais pobres, que dependem de shillings para sobrevivência.
  • Em 4 de maio, dezenas de cambistas protestaram nas ruas, mas muitos comerciantes já recusam o shilling, questionando a capacidade do governo de agir.
  • O governo federal decretou que rejeitar o shilling seria crime e pediu que comerciantes continuassem aceitando a moeda, mas há dúvidas sobre a efetividade da fiscalização.

A queda do nosso dinheiro em circulação deixou muitos somalis em dificuldades. Bocas de comércio em Mogadishu começaram a recusar notas antigas, em meio a uma economia cada vez mais dolarizada e a pagamentos por celular. O efeito imediato foi o aumento de preços de itens básicos, como leite em pó, alimentação e transporte.

Muse Omar Jama, 49 anos, trabalha como cambista no mercado de Bakara e viu seus papéis se tornarem praticamente inúteis. O templo de papel-moeda que ele guarda perdeu valor de uma hora para outra, obrigando-o a caminhar três quilômetros para chegar ao trabalho, já que o ônibus não aceita shillings.

A revolta de empresas e comerciantes contra as notas velhas ganhou força no mês passado, espalhando-se de Mogadishu para regiões do sul. A medida provocou alta nos custos de vida, com itens de aluguel, energia e água já afetados pela desvalorização da moeda.

Contexto econômico e social

A Somalia depende fortemente de remessas em dólares enviadas pela diáspora, além de transferências informais conhecidas como hawala. A ausência de uma moeda única oficial, após o fim do governo central em 1991, contribuiu para a prosperidade do dólar e para a hesitação em usar as notas locais, que passaram a ser aceitas apenas em algumas áreas.

Antes do movimento de rejeição, clientes utilizavam shillings para trocar por dólares via mobile money. Hoje, muitos não conseguem mais usar as notas em operações cotidianas, o que agravou a dificuldade de compras para famílias de baixa renda, já sobrecarregadas pela seca e pela alta de preços.

Reação institucional e desdobramentos

O governo federal anunciou, em uma coletiva, que a recusa das notas locais seria considerada crime, ordenando a continuidade de aceitação. No entanto, não há garantias de fiscalização eficaz, segundo relatos de comerciantes, que apontam falta de policiamento capaz de impor a decisão.

Entre os afetados, o cambista Jama afirma que a medida depende de ação prática para ter efeito, destacando a necessidade de responsabilização de quem recusa a moeda nacional. Enquanto isso, as filas de dinheiro só aumentam para quem vende mercadorias básicas, como verduras, que já enfrentam pressão de preços impulsionada pela seca e pela mudança de método de pagamento.

Cenário atual e perspectivas

Testemunha de uma economia que caminha para o pagamento quase exclusivo com dólares e transações via celular, Jama descreve um quadro de insegurança econômica para famílias pobres. A imobilidade de notas antigas, somada a um sistema de entrega de ajuda fragilizado, aumenta a vulnerabilidade de comunidades que já vivem em condições precárias.

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