- A Compass estreou na bolsa brasileira nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, em IPO para reforçar o caixa da Cosan; a holding reduziu a participação na Compass de 88% para cerca de 75%.
- A Cosan enfrenta crise financeira há mais de dois anos, com endividamento elevado para financiar expansão e aquisições; em 2024 a empresa teve prejuízo líquido de R$ 9,4 bilhões e sinalizou venda total da participação na Vale para reduzir o endividamento.
- O aumento da dívida ocorreu após a decisão de fim de 2022 de comprar participação relevante na Vale; a dívida bruta subiu 30%, para R$ 70,7 bilhões, visando ganhos com valorização de ações e dividendos.
- A Vale teve desempenho fraco em 2024, com queda de 23,2% no ano, puxada pela baixa no preço do minério de ferro, o que tornou o investimento mais oneroso com a alta da taxa de juros.
- A Raízen, parceira da Cosan, também registrou deterioração financeira: lucro de R$ 614,2 milhões em 2023/24, prejuízo de R$ 4,2 bilhões em 2024/25 e, nos nove meses de 2025/26, prejuízo de R$ 19,8 bilhões, levando-a a pedir recuperação extrajudicial em março.
A Compass, empresa de gás e energia com participação na Comgás, estreou nesta segunda-feira na bolsa brasileira. A operação é vista como uma tentativa da Cosan, controladora, de enfrentar a crise financeira que afeta seus resultados há mais de dois anos. O IPO visa reforçar o caixa da holding, não apenas investir.
A Cosan herdou dívidas elevadas para financiar expansão e aquisições. A estratégia de utilizar dívida para crescer gerou peso financeiro em 2024, quando a empresa registrou prejuízo. Entre 2022 e 2023, a holding fez movimentações que ampliaram seu endividamento.
A Vale foi alvo de uma participação relevante adquirida pela Cosan no fim de 2022, com dívidas subindo para R$ 70,7 bilhões. Em 2024, a valorização não ocorreu como esperado, e as ações da Vale recuaram junto com o minério de ferro. A alta da taxa de juros elevou os custos da operação.
Contexto financeiro
Em abril de 2024, a Cosan vendeu mais de 33 milhões de ações da Vale, levantando cerca de R$ 2 bilhões. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 9,4 bilhões em 2024 e sinalizou a venda total de sua participação na Vale para reduzir o endividamento. O ganho contábil divulgado foi de R$ 5 bilhões, mas não evitou perdas de mercado.
Paralelamente, a Raízen, empresa da qual Cosan é sócia, também enfrentou deterioração financeira. Consolidou prejuízos e, em 2026, entrou com pedido de recuperação extrajudicial, com dívidas acima de R$ 65 bilhões. A piora afeta diretamente os resultados da Cosan.
O IPO da Compass
A saída para a crise da Cosan envolve o IPO da Compass. Ao contrário de lançamentos que visam expansão, a operação busca reforçar o caixa e aliviar a pressão financeira sobre a holding. Com a abertura de capital, a Cosan reduziu sua participação na Compass de 88% para cerca de 75%.
A iniciativa marca uma tentativa de manter o equilíbrio entre as necessidades de caixa da Cosan e a continuidade dos investimentos nos seus negócios. Não houve indicativo de mudanças estratégicas adicionais anunciadas pela empresa.
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