- Allied, distribuidora da Samsung no Brasil, aponta escassez de chips de memória e pressão sobre os preços de celulares; o custo das memórias subiu cerca de 25% e pode aumentar no segundo trimestre.
- A IA está direcionando investimentos para data centers, que consomem muita memória e reduzem a disponibilidade para celulares, elevando custos de produção.
- A demanda por modelos mais caros deve puxar preços, com expectativa de alta também nos aparelhos de entrada.
- No primeiro trimestre de 2026, a Allied registrou receita líquida de R$ 1,16 bilhão, queda de 3,1% ante igual período de 2025, e lucro líquido de R$ 24,7 milhões, alta de 64%.
- A operação internacional, em Miami, teve receita 50% menor na comparação anual, devido à menor oferta de memória, refletindo a mesma tendência global.
A Allied, distribuidora que gerencia as lojas da Samsung no Brasil, enfrenta neste ano um paradoxo no mercado de celulares. Enquanto a Copa do Mundo promete aquecer as vendas, a escassez de chips de memória pressiona preços e disponibilidade de smartphones.
A indústria vem deslocando memória para data centers, impulsionada pela IA. Segundo Silvio Stagni, CEO da Allied, o custo das memórias subiu cerca de 25% e deve avançar ainda no segundo trimestre. Três fabricantes dominam o mercado global.
O efeito é direto: menos oferta de componentes de memória no cenário mundial aumenta o custo de produção de aparelhos, incluindo a linha Galaxy e iPhones, e pressiona os preços ao consumidor.
Apesar da pressão, a Allied destaca uma demanda maior por modelos topo de linha. A linha Galaxy S26 registrou 19% de vendas a mais no comparativo com o S25 no 1º trimestre de 2026.
Desempenho do trimestre e impactos regionais
O grupo reportou receita líquida de R$ 1,16 bilhão no 1º trimestre, queda de 3,1% frente ao mesmo período de 2025. O lucro líquido foi de R$ 24,7 milhões, alta de 64%.
Lojas físicas apresentaram queda de receita (-4,9%) e lucro bruto (-4,3%), compensadas pelo varejo online, que cresceu 19,3% na receita e 18,4% no lucro bruto.
A Allied celebra a maior demanda por aparelhos de maior valor, sustentando consumo mesmo com ambiente macroeconômico desafiador, segundo Stagni.
Atuação internacional e cenário logístico
A operação da Allied em Miami retraiu cerca de 50% no 1º trimestre de 2026 ante 2025, para R$ 77 milhões. A unidade funciona como hub logístico e reflete a oferta global de componentes.
Stagni afirma que, no varejo de Miami, pode não haver todos os modelos disponíveis devido à menor oferta de memória. A situação evidencia o impacto da escassez na disponibilidade de estoque em mercados específicos.
A empresa aponta que a expectativa de demanda pela Copa do Mundo pode favorecer o setor de celulares, complementando o consumo com o avanço da IA e a substituição de aparelhos por modelos mais avançados.
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