- Estrategistas do JPMorgan dizem que ações brasileiras devem andar de lado devido ao ritmo lento de afrouxamento monetário e à incerteza eleitoral.
- O real está em nível alto, o que pode limitar valorização futura e impactar fluxos de capitais estrangeiros.
- O Ibovespa encerrou abril praticamente estável, após alta no primeiro trimestre, e maio registra queda até o momento.
- Os fluxos estrangeiros para o Brasil tornaram-se fortemente negativos desde meados de abril, contribuindo para o cenário mais fraco.
- Observa-se rotação para ações de tecnologia, com o ciclo de cortes de juros no Brasil mais lento do que o esperado e o Federal Reserve mantendo posição mais restritiva.
Os estrategistas do JPMorgan afirmam que o Brasil e a América Latina continuam vistos como porto seguro por investidores, mas veem o mercado acionário brasileiro perdendo fôlego após o rali do início do ano. O relatório, enviado a clientes na terça, aponta ritmo mais lento de afrouxamento monetário e incerteza eleitoral como fatores.
A tendência aponta que as ações brasileiras devem andar de lado no médio prazo, segundo os analistas. O real já opera em nível forte e tende a não se valorizar muito mais, o que pesa como fator assimétrico para investidores estrangeiros. Ibovespa fez ganho acima de 16% no 1º trimestre.
Segundo a equipe, os fluxos estrangeiros para o Brasil ficaram significativamente negativos desde meados de abril. A saída de capital não é específica do Brasil e reflete queda de fluxos para mercados emergentes, que passaram de US$ 86 bilhões no acumulado do ano para US$ 70 bilhões.
A análise também aponta rotação para ações de tecnologia, juros no Brasil subindo em ritmo menor que o esperado, Fed mais hawkish e real fortalecendo. Dados de maio indicam saldo externo negativo na B3 até o dia 8, de quase R$ 3,2 bilhões, contrariando abril, que teve entrada líquida de cerca de R$ 3,2 bilhões. Até 15 de maio, o saldo somava R$ 14,6 bilhões.
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