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Galípolo aponta maior risco inflacionário com guerra no Oriente Médio

BC vê maior risco inflacionário com guerra no Oriente Médio e admite necessidade de vigilância mais firme para evitar transmissão aos preços

Galípolo afirmou que cenário brasileiro torna processo mais delicado, devido às expectativas de inflação ainda acima da meta de 3% - (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)
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  • O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade precisará atuar com ainda mais vigilância diante dos efeitos indiretos da alta do petróleo provocados pela guerra no Oriente Médio.
  • O BC teme que aumentos concentrados em certos produtos se disseminem pela economia, pressionando os preços de forma mais persistente.
  • O cenário brasileiro, com inflação ainda acima da meta de 3% e mercado de trabalho aquecido, torna esse ajuste mais delicado.
  • O banco busca separar choque de oferta de efeitos de segunda ordem, reconhecendo que não é tarefa simples, mas mantendo o compromisso de controlar a inflação.
  • Galípolo lembrou que já são quatro choques de oferta em menos de seis anos, o que tem impactos na credibilidade dos bancos centrais.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou nesta quarta-feira, 13/5, que a autoridade monetária precisará de ainda mais vigilância diante dos efeitos indiretos de choques de oferta, como a guerra no Oriente Médio que elevou o petróleo. O comentário ocorreu em Brasília, durante a abertura da Conferência Anual do BC.

O objetivo do BC é evitar que aumentos pontuais de preços se disseminem pela economia, pressionando a inflação de forma mais persistente e exigindo uma política monetária mais rígida.

O cenário brasileiro torna esse processo mais delicado, devido às expectativas de inflação acima da meta de 3% e ao mercado de trabalho aquecido, fatores que ampliam o repasse de preços para outros setores.

Descompasso

Galípolo disse que é difícil distinguir, no momento, entre choques de oferta provocados por conflitos geopolíticos ou por efeitos climáticos e os efeitos de segunda ordem que exigem vigilância ainda maior. O BC permanece comprometido com o controle da inflação.

Ele ancora que a recente sequência de choques de oferta coloca em xeque a credibilidade dos bancos centrais, citando impactos da pandemia, da guerra na Ucrânia, de tarifas internacionais e do conflito no Oriente Médio.

Há um descompasso entre o aperto monetário aplicado pelas autoridades e a percepção de custo de vida pela população. O presidente ressaltou que o período é marcado por incertezas e eventos climáticos e geopolíticos.

Os instrumentos dos bancos centrais foram desenhados para crises anteriores. Segundo Galípolo, esses choques afetam diretamente a percepção da população sobre o mandato de proteger o poder de compra da moeda e o custo de vida.

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