- A operação reforçada para controle de tensão teve custo de 711 milhões de euros até 30 de abril, segundo a Redeia, pese a estimativa de cerca de 1,5 bilhão feita por consultorias.
- A assembleia geral de accionistas de Redeia ocorreu ainda em meio às repercussões do apagão na Península Ibérica, em 28 de abril de 2025.
- Três acionistas criticaram a direção, pedindo a demissão da presidente Beatriz Corredor e do conselho, citando responsável por não assumir falhas e acusações contra a CNMC.
- Corredor defendeu que o sistema elétrico envolve mais agentes e reiterou que não houve falha por parte do operador, destacando o relatório de um painel de especialistas que apoia as conclusões da empresa.
- O presidente-executivo, Roberto García Merino, apresentou o plano estratégico com foco no TSO, aprovou contas de 2025 com lucro líquido de 506 milhões de euros e distribuiu dividendo de 0,80 euros por ação, além de confirmar nomeações na governança.
Redeia, grupo matriz de Red Eléctrica, celebrou nesta manhã a assembleia geral de acionistas ainda marcada pelo apagão que atingiu a península ibérica em 28 de abril do ano passado. A presidente não executiva Beatriz Corredor afirmou que os informes oficiais indicam que o evento foi inédito, imprevisível e multifatorial.
Ela destacou o relatório do painel de experts liderado pela Entso-e, publicado em 20 de março, afirmando que não houve falha do operadora do sistema nem infração que causasse o zero elétrico. Segundo Corredor, o estudo sustenta o que foi apontado no parecer da Rede Elétrica divulgado em julho do ano passado.
Corredor afirmou que a chamada operação reforçada reforça o controle de tensão e negou que, em 28 de abril de 2025, a programação de energia síncrona tenha sido insuficiente. Em referência ao dia do incidente, disse que o problema esteve nas sobretensões e não apenas na disponibilidade de geração.
A empresa informou que o custo da operação reforçada, até 30 de abril, alcançou 711 milhões de euros, o que representa cerca de 0,04 euro a mais por dia para consumidores com tarifa regulada. Diferentes consultorias estimam valores próximos a 1,5 bilhão de euros. Corredor afirmou que os montantes são destinados aos agentes que não cumpriram as regras de tensão.
Dimissão
Durante a assembleia, três acionistas muito críticos cobraram a renúncia de Beatriz Corredor e do restante da diretoria, alegando falta de responsabilidade sobre o apagão. Um dos presentes afirmou que a Red Eléctrica não cumpriu sua obrigação e pediu que a empresa aceite o erro, além de chamar à saída da alta direção. Questionaram também a relação com a CNMC, que consideram aliada da empresa no passado.
Críticas adicionais apontaram que a empresa escolheu ativar o protocolo de resposta sem reconhecer responsabilidade, o que, segundo os críticos, impede a assunção de responsabilidade compartilhada. Um dos acionistas descreveu o episódio como um espetáculo de confusão e afirmou que, se houver responsável, é o operador.
Corredor respondeu que o sistema elétrico envolve mais atores além do operador e que há normas técnicas que devem ser observadas por todos. Ela reiterou o relato do painel de especialistas e negou que houvesse qualquer incidente anterior ou posterior ao apagão que colocasse o fornecimento em risco.
Roberto García Merino, CEO do grupo, apresentou o plano estratégico para o período, com 97% dos investimentos — cerca de 6 bilhões de euros até 2029 — destinados ao TSO, incluindo nova remuneração para redes de transporte, com taxa aprovada pela CNMC para 2026-2031. O plano prevê aumento de 2% no dividendo anual.
A assembleia aprovou as contas de 2025, com lucro líquido de 506 milhões de euros e a distribuição de 433 milhões em dividendos, equivalentes a 0,80 euro por ação. O pagamento continuará após o adiantamento de 0,20 euro efetuado em janeiro, com complemento em 1º de julho.
A sessão também ratificou o ingresso da SEPI e de José Luis Navarro como conselheiros dominicais por quatro anos, além de manter como conselheiros independentes Santiago Hurtado e Marta María de la Cuesta.
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