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Brasil não pode ficar refém de capital de curto prazo para bancos

Executivos dizem que fluxos estrangeiros para o Brasil são voláteis e de curto prazo; apenas ajuste fiscal pode reduzir juros e reacender o grau de investimento

Talita Moreira (Valor), José Berenguer (Banco XP), Marcelo Marangon (Citi) e Alexandre Bettamio (Bank of America) — Foto: Vanessa Carvalho/Valor
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  • Executivos dizem que os fluxos estrangeiros para o Brasil, nos últimos meses, são parte de um movimento global de realocação e representam capital volátil de curto prazo.
  • Para reduzir a dependência desse tipo de investimento, o Brasil precisa avançar na solução da questão fiscal, o que permitiria queda de juros e ajudaria a recuperar o grau de investimento.
  • O Brasil aparece com participação pequena em índices de ações (cerca de 7%) e recebe apenas uma fração dos fluxos para emergentes, conforme comentado por executivos de bancos.
  • Sobre IPOs, há pipeline disponível, mas investidores estão seletivos e buscam empresas maiores, com faturamento robusto; novos negócios devem vir, porém em volume limitado.
  • O caminho apontado pelos especialistas envolve reduzir o tamanho do Estado, desvincular receitas e cortar despesas, com a expectativa de atrair capital de longo prazo e estabilizar o câmbio, independentemente de eleições.

Os grandes fluxos estrangeiros para o Brasil nos últimos meses são parte de um movimento global de realocação de capital e não refletem méritos específicos do país. Executivos de bancos ressaltam que esses recursos são voláteis e de curto prazo, o que pode deixar o Brasil refém de variações externas se não houver ajuste fiscal. A avaliação foi feita durante o Summit Valor Brazil-USA, em Nova York, com a participação de líderes do setor financeiro.

Para Bettamio, codiretor de corporate e banco de investimento do Bank of America, o Brasil recebeu apenas uma fração dos fluxos para emergentes e mantém participação pequena em índices de ações, em torno de 7%, bem abaixo do pico de 2010 (21%). Berenguer, CEO do Banco XP, também destacou cautela, afirmando que volumes atuais não são suficientes para reativar mercados de capitais. Marangon, do Citi, indicou que parte do investimento líquido em renda variável deste ano é compensado por reinvestimento de dividendos, observando cenário de saídas em renda fixa.

Fluxo de capitais e estratégia de longo prazo

Marangon apontou que o país precisa competir em bases globais, com capital de longo prazo, para evitar volatilidade. Bettamio citou a necessidade de resolver a questão fiscal para permitir queda de juros e câmbio mais estável, destacando que sem isso o Brasil não aproveita plenamente o fluxo global. A discussão também tratou do ambiente de IPOs: apesar de um pipeline de transações, o investidor está mais seletivo, priorizando risco, garantias e posicionamento das empresas.

Cenário de IPOs e maturação do mercado

Bettamio informou que o tamanho das operações no exterior aumentou, exigindo faturamento significativo para entrar em pregões como o americano. Para o Brasil, isso implica maior pressão para transformar empresas locais em alvos atrativos. Os executivos ressaltaram que o mercado continua aberto, porém com investimentos ocorrendo de forma seletiva e conforme reformas estruturais avancem.

Perspectiva econômica e volatilidade eleitoral

Berenguer observou que a curva de juros já não antecipa cortes adicionais na Selic neste ano, com o impacto da guerra no Irã sendo de curto prazo. Em relação às eleições, a pauta não é o principal foco dos investidores, que olham para a trajetória fiscal e reformas. Mesmo assim, a necessidade de atrair novos casos de investimento permanece, com o objetivo de ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado global e sustentar transações.

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