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Petróleo pressiona preços industriais, afeta cadeia e pode pausar Selic em junho

IGP-DI sobe com a alta do petróleo, elevando custos da indústria e do transporte e sinalizando pausa nos cortes da Selic em junho

Estoque do varejo deve segurar avanço de preços captados no IGP, mas reajuste virá com renovação de produtos (Foto: Unsplash)
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  • O aumento do petróleo está elevando os custos da indústria e da logística, pressionando preços no atacado e, consequentemente, diversas cadeias produtivas.
  • Em abril, o Índice Geral de Preços — Disponibilidade Interna subiu 2,41%, o maior desde 2021, com altas no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), no IPC e no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).
  • No IPA, matérias-primas brutas subiram 4,57% e bens intermediários 3,27%; entre as pressões, destacam-se sacos plásticos, leite in natura e adubos/fertilizantes.
  • A expectativa para o IPCA deste ano é de 4,7% a 5,7%, com maior probabilidade de exceder o teto de 4,5% da meta, o que pode levar o Banco Central a pausar cortes na Selic em junho.
  • Economista André Braz, do FGV/Ibre, aponta que choques de oferta, como a alta do petróleo e o El Niño, dificultam cortes agressivos de juros e elevam as pressões inflacionárias.

A escalada da cotação do petróleo está elevando preços no atacado e pressionando a indústria e a logística no Brasil. Em abril, o IGP-DI, indicador que acompanha inflação do produtor ao consumidor, atingiu o maior nível desde 2021, acelerando em relação a abril do ano anterior e a março.

Entre os componentes do índice, o IPA (Preço ao Produtor Amplo) subiu 3,09% em abril, ante 1,38% em março. Já o IPC (Preço ao Consumidor) avançou 0,88% frente a 0,67%. O INCC (Construção) também acelerou, para 1,00%.

Matérias-primas brutas tiveram alta expressiva, com avanço de 4,57% no atacado, puxadas por itens como embalagens plásticas, leite de origem animal e fertilizantes. No varejo, a gasolina impulsionou o IPC, ao subir 3,84%, enquanto o leite longa vida aumentou 15,68%.

O IGP-DI funciona como diagnóstico rápido de tensões na cadeia produtiva. Segundo o economista André Braz, o petróleo, como matéria-prima central, eleva custos em várias etapas da produção, impactando desde resinas para embalagens até fertilizantes.

Panorama de inflação e impactos setoriais

A transmissão de custos não é imediata. Braz afirma que, conforme estoques do varejo se renovarem, inflação ao consumidor deve reagir de forma gradual, com efeitos mais fortes nos próximos meses. O registro atual aponta pressão de oferta, não apenas de demanda.

As projeções para o IPCA mudaram com o cenário externo. Antes esperava-se queda próxima ao centro da meta, mas o IPCA pode fechar o ano entre 4,7% e 5,7%, com maior probabilidade de superar o teto de 4,5%. O período de maio a junho pode apresentar inflação mensal entre 0,40% e 0,45%.

Além disso, o El Niño, confirmado como forte, deve reduzir a produção agrícola e afetar a geração de energia, contribuindo para o empeoramento do cenário inflacionário. Esses fatores elevam a pressão sobre os preços ao consumidor.

Choque de oferta e a política monetária

O contágio do petróleo eleva o custo de produção e frete, limitando o espaço para cortes na taxa Selic. Braz avalia que o Copom pode pausar as reduções na próxima reunião, em junho, mantendo a Selic em 14,5% ao ano para ancoragem de expectativas.

O economista ressalta que cortes agressivos agora poderiam comprometer a credibilidade, com ganhos limitados diante de choques de oferta. A política monetária tende a atuar sobre inflação de demanda, não sobre choques de oferta como o preço do petróleo.

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