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Alta de custo de vida debilita discurso sobre inflação sob controle

Custo de vida elevado reduz percepção de inflação sob controle, apesar da queda do desemprego; cesta básica pressiona o orçamento familiar

Economistas consideram que custo de produtos interfere na percepção de inflação controlada
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  • O custo de vida elevado reduz a percepção de que a inflação está sob controle, mesmo com queda do desemprego e renda em alta.
  • O IPCA, em doze meses até abril, ficou em 4,39%, acima de dezembro de 2025 e março, mas abaixo de abril do ano anterior, mantendo-se acima da meta de 3%.
  • Economistas dizem que a inflação mede a velocidade de aumento dos preços, não o nível, o que explica por que famílias sentem aperto no orçamento mesmo com ganhos.
  • Entre 2011 e 2025, a cesta básica aumentou 205,1%, enquanto o salário mínimo subiu 178,5%, levando mais pessoas a cortar itens do consumo.
  • Em abril, a cesta básica variou de R$ 619,32 a R$ 906,14, com a capital paulista exigindo o maior gasto; conclusão de que o salário mínimo seria insuficiente para cobrir as despesas de uma família.

O custo de vida elevado enfraque o discurso de inflação sob controle no Brasil. Mesmo com queda do desemprego e ganho real de renda, famílias sentem aperto ao manter o padrão de consumo.

Economistas apontam que a inflação medida pelo IPCA segue sob controle, mas a percepção popular é de preços acima do que a renda permite. A diferença entre indicadores oficiais e gastos cotidianos é enfatizada por especialistas.

Dados de abril mostram IPCA de 4,39% nos 12 meses, segundo o IBGE, acima de dezembro de 2025 e março de 2026, mas abaixo de igual período do ano passado. A leitura sugere contenção, ainda que com custos elevados no dia a dia.

Para o professor Rodrigo Simões, da FAC-SP, a inflação reflete velocidade de alta dos preços, não apenas o nível. Ele aponta que salários sobem, mas o custo de vida avança mais rápido, comprimindo o poder de compra.

Entre 2011 e 2025, a cesta básica subiu 205,1%, de R$ 277,27 para R$ 845,95. O salário mínimo, por sua vez, avançou 178,5%, de R$ 545,00 para R$ 1.518,00. Em 2011, a cesta representava 50,88% do mínimo; em 2025, 55,73%.

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica, realizada por Dieese e Conab, aponta variação de 619,32 reais em Aracaju e 906,14 reais em São Paulo no mês de abril. As altas de março para abril foram de 3,49% em Aracaju e 2,51% em SP.

Em São Paulo, manter a cesta básica representou 60,43% do salário mínimo de 1.621 reais em abril. As contas indicam que, para cobrir as despesas de uma família, o mínimo necessário seria de 7.612,49 reais, considerando moradia, saúde, educação e outras despesas básicas.

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