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Indústria brasileira perde espaço no mercado interno para a China, apontam entidades

Coalizão Industrial aponta déficit de US$ 146,4 bilhões na balança de manufaturados em 2026, acusando importações predatórias e pedindo defesa comercial mais rigorosa

Lula e Xi Jinping, em Pequim, durante visita oficial do brasileiro à China
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  • A Coalizão Indústria estima déficit da balança de manufaturados em US$ 146,4 bilhões para 2026, frente US$ 134 bilhões em 2025.
  • Agravamento da perda de participação brasileira no mercado ocorre devido a importações predatórias, principalmente de produtos chineses com subsídios e custos baixos.
  • O grupo cobra defesa comercial mais eficaz, com medidas como antidumping e salvaguardas, além de redução de juros e melhoria do chamado custo Brasil.
  • Em 2025, o desempenho médio dos setores da coalizão foi de cerca de 1,2% (abaixo do PIB, que teve alta de 2,3%).
  • Para 2026, as projeções são de crescimento da produção abaixo de 2%, enquanto as importações devem avançar por volta de 6%.

A indústria brasileira de transformação projeta um déficit recorde na balança de manufaturados em 2026, apontando uma perda contínua de espaço no mercado interno para a China. O alerta é feito pela Coalizão Indústria, em meio a mudanças tributárias recentes e a pressão por medidas de defesa comercial contra importações, especialmente vindas de fora.

A Coalizão reúne setores como aço, automotivo, têxtil, plástico, cimento, elétrico e farmacêutico, que representam quase metade do PIB industrial e grande parte das exportações da indústria. Em 2025, o saldo negativo da balança de manufaturados ficou em US$ 134 bilhões, com previsão de 2026 superior a isso.

A seguir, são apresentados os principais pontos apresentados pela Coalizão na coletiva realizada em São Paulo na última terça-feira. Os dados destacam a dinâmica entre produção interna, demanda do mercado e entradas externas, com foco nas chamadas importações predatórias.

Contexto econômico e cenário internacional

Segundo a Coalizão, o excesso de produção chinesa tem chegado a mercados onde defensas comerciais são insuficientes, ampliando a pressão sobre fabricantes nacionais. A entidade também ressalta que o problema não é a simples entrada de produtos estrangeiros, mas condições consideradas desleais, favorecidas por subsídios, custos de produção menores e distorções tributárias.

A rubrica de 2026 traz expectativa de crescimento da produção industrial abaixo de 2% para o conjunto dos setores representados, enquanto as importações avançam em torno de 6%. A diferença evidencia o desafio de acompanhar o ritmo de demanda interna e o recuo de participação da indústria brasileira na economia global.

Impacto setorial e participação econômica

A Coalizão reúne 12 setores que respondem por 44,8% do PIB industrial, cerca de 60,6% das exportações da indústria manufatureira e 48,6 milhões de empregos diretos e indiretos. Em 2025, oito setores devem apresentar crescimento abaixo de 4%, com dois em retração, segundo as projeções da entidade.

O grupo defende instrumentos de defesa comercial, como antidumping e salvaguardas, além de exigir redução de juros, controle de contas públicas e redução do chamado custo Brasil. A atuação conjunta do setor é considerada crucial para manter o equilíbrio entre produção nacional e competição externa.

Investimentos e agenda institucional

Apesar das dificuldades, a coalizão mantém uma estimativa de investimentos de aproximadamente R$ 1,1 trilhão entre 2026 e 2030, para os setores representados. Em defesa de políticas públicas, a coalizão também divulgou um manifesto pela aceleração do crescimento sustentável do Brasil, com meta de reconstruir o ritmo do PIB a pelo menos 3,5% ao ano nos próximos cinco anos.

O grupo assinala que, para manter o crescimento – e evitar impactos de longo prazo na indústria e no emprego – é essencial corrigir distorções tributárias, melhorar a logística e reduzir custos de produção, além de adotar medidas firmes de defesa comercial contra práticas desleais de mercado.

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