- A inflação foi projetada em 4,5% neste ano, atingindo o teto da meta do Conselho Monetário Nacional; para 2027, a estimativa sobe para 3,5%.
- A principal explicação é a alta do petróleo no mercado internacional, que superou US$ 110 por barril em meio a tensões no Golfo Pérsico.
- O governo afirma que parte do impacto será neutralizado pela valorização do real e por medidas para reduzir o repasse dos combustíveis ao consumidor.
- O Produto Interno Bruto (PIB) é esperado em 2,3% neste ano e 2,6% em 2027, com desaceleração prevista no curto prazo.
- A alta do petróleo deve elevar a arrecadação federal em cerca de R$ 8,5 bilhões por mês, com ganhos em royalties, IRPJ, CSLL e Imposto de Exportação ligados ao setor; o Boletim Macrofiscal e o relatório para o Congresso estão previstos para sexta-feira.
O Ministério da Fazenda elevou a previsão de inflação para este ano de 3,7% para 4,5%, atingindo o teto da meta definida pelo CMN. A revisão foi publicada no Boletim Macrofiscal desta segunda-feira, 18, pela Secretaria de Política Econômica (SPE). O aumento reflete o impacto da guerra no Oriente Médio sobre o petróleo.
A principal pressão vem da alta dos preços do petróleo no mercado internacional, que superou US$ 110 o barril em meio a tensões no Golfo Pérsico. Parte do efeito deverá ser neutralizada pela valorização do real e por medidas para reduzir o repasse aos combustíveis, segundo o relatório.
Inflação revisada
A SPE informa que o choque nos preços do petróleo contribui para a pressão inflacionária. Parte do efeito é contrabalanceada pelo real mais valorizado e por medidas do governo para mitigar o repasse aos combustíveis.
Com a revisão, a inflação projetada para 2026 fica no teto do regime de metas, com centro de 3% e intervalo de 1,5% a 4,5%. Para 2027, a estimativa sobe de 3,0% para 3,5%.
PIB mantido
O governo mantém a projeção de crescimento do PIB em 2,3% neste ano e 2,6% para 2027. O relatório aponta desaceleração prevista nos próximos trimestres, em razão da política monetária restritiva, com recuperação gradual no fim do ano.
No primeiro trimestre, a composição do crescimento muda: indústria fica menos contributiva, serviços ganham peso e agropecuária mantém participação. A expectativa é de desaceleração nos dois últimos trimestres, seguida de recuperação setorial.
Ganho de arrecadação
A alta do petróleo deve elevar a arrecadação federal em cerca de R$ 8,5 bilhões mensais, segundo a SPE. O ganho viria de royalties, dividendos, IRPJ, CSLL e imposto de exportação ligados ao setor.
Essa expansão arrecadatória é apresentada como suporte a uma resposta fiscal firme, alinhada à política monetária e ao objetivo de superávit primário. O relatório de receitas e despesas será enviado ao Congresso na sexta-feira, 22.
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