- O CMSE, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, decide na quarta-feira, 20 de maio de 2026, a calibragem do nível de aversão ao risco (CVaR) do setor elétrico.
- O tema é se o CVaR deve seguir o atual patamar de 15,40 ou ser ajustado para 15,35 ou 15,30, o que afeta o uso de usinas termelétricas e as bandeiras tarifárias.
- A decisão pode reduzir ou elevar a conta de luz a partir de 2027, impactando o IPCA e o orçamento das famílias.
- A decisão leva em conta a probabilidade do El Niño: até 82% para maio-julho de 2026 e até 96% para dezembro-febreiro de 2026-2027, conforme previsões norte-americanas.
- O LRCap, que contratou 18,97 GW de térmicas com custo estimado de R$ 64,5 bilhões, continua no centro de debates sobre custos ao consumidor e eventuais irregularidades na modelagem.
O governo tem até a próxima quarta-feira para decidir se reduz ou eleva a tarifa de energia. O CMSE, com atuação do Ministério de Minas e Energia, avalia a calibração do CVaR, parâmetro que mede o risco de escassez e orienta o despacho de usinas. A decisão impacta a conta de luz e a inflação a partir de 2027.
Atualmente o sistema opera com CVaR 15/40, modelo conservador que prioriza segurança. A proposta em análise é ajustar para 15,35 ou 15,30, mantendo a confiabilidade do abastecimento. A escolha afeta a necessidade de acionar térmicas e o custo de energia.
O objetivo é equilibrar segurança energética e custos para consumidores. Em caso de ajuste, a ideia é reduzir o uso de termelétricas mais caras quando os reservatórios estiverem estáveis. A meta é conter o impacto sobre o IPCA e a inflação.
O debate envolve várias fontes técnicas. Defensores de CVaR mais baixo afirmam que manteria o sistema seguro com menos custos de aquisição de energia em leilões. Críticos apontam que o modelo atual eleva tarifas e a inflação de forma desnecessária.
A decisão ocorre em meio a previsões climáticas que apontam maior probabilidade de El Niño no curto prazo. Em maio, o US CPC/NOAA elevou a chance de formação do fenômeno, o que pode influenciar padrões de chuva e o regime hidrológico no Brasil.
A diferença entre cenários mais conservadores e menos conservadores tem impacto direto na inflação. Estudos indicam que calibrar o CVaR para patamares menores poderia reduzir a inflação anual em cerca de 0,15 ponto percentual e a volatilidade da conta de luz.
O LRCap, leilão de reserva de capacidade, também está no centro do debate. A Fiesp questiona a assinatura dos contratos, em processo que envolve Lava Cade, TCU e MPF. A Aneel aponta que o LRCap contratou quase 19 GW de térmicas entre 2026 e 2031.
Na prática, o custo das térmicas é custo oculto para o consumidor. A compra de energia de fontes térmicas já contratadas ocorrerá independentemente das condições climáticas, elevando o valor final da conta de luz ao longo dos anos.
A decisão do CMSE, marcada para a quarta-feira, vai além de um ajuste técnico. Representa uma escolha entre manter alta margem de segurança ou buscar maior eficiência econômica sem comprometer o abastecimento. O resultado tende a influenciar tarifas, inflação e o ambiente de investimentos.
Fonte dos números e contexto: informações sobre CVaR, LRCap e impactos econômicos são provenientes de órgãos e notas oficiais do setor elétrico e de análises técnicas divulgadas em veículos de comunicação e instituições ligadas ao tema.
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