- Banco espanhol e indústria financeira pedem ao Banco Central Europeu que desenvolva o euro digital maiorista para viabilizar grandes transações entre entidades financeiras using blockchain.
- A proposta envolve fases: Pontes, que conecta plataformas com tecnologia de registro distribuído aos sistemas Target, e Appia, que transforma a infraestrutura do banco central para a blockchain.
- O euro tokenizado como ativo de liquidação digital deve ficar disponível no segundo semestre de 2026; enquanto isso, bancos exploram uma alternativa privada, uma stablecoin em euro, por meio do consórcio Qivalis.
- O objetivo é aumentar a independência da Europa em pagamentos e competir com os EUA, que lideram no mercado de stablecoins em blockchain.
- Além do wholesale, há foco no euro digital varejo para pagamentos entre pessoas e comércios, com ressalvas sobre custos, depósitos bancários e uso offline.
O setor bancário espanhol pressionou o Banco Central Europeu (BCE) a acelerar o desenvolvimento do euro digital na versão maiorista, para viabilizar grandes operações entre instituições por meio de redes de blocos. A medida busca reduzir dependência de terceiros e competir com Estados Unidos no novo ambiente de pagamentos.
A defesa foi reiterada pela presidente da Associação Espanhola de Banca (AEB), Alejandra Kindelán, durante o evento sobre o euro digital promovido pelo Real Instituto Elcano. Segundo ela, a blockchain permite pagamentos imediatos, 24/7, com liquididação sem intermediários.
A indústria argumenta que a tecnologia fortalece a autonomia europeia, diante do avanço das stablecoins em blockchain dominadas pelo dólar. O objetivo é ter infraestrutra capaz de sustentar operações de alto valor entre entidades financeiras, não apenas pagamentos ao varejo.
O BCE está trabalhando em duas fases do euro digital maiorista. A primeira, chamada Pontes, conecta plataformas com tecnologia de registro distribuído aos sistemas Target para liquidação em tempo real. A segunda, Appia, prevê transformação da infraestrutura do banco central para operar na blockchain.
Para operar nesses mercados, o BCE planeja lançar o euro tokenizado como ativo de liquidação digital, ainda no segundo semestre de 2026. Enquanto isso, o consórcio privado de bancos europeus, o Qivalis, desenvolve uma alternativa de stablecoin em euro e aponta lançamentos nos próximos meses.
Avanços e impactos
Paralelamente, bancos estão explorando a tokenização de depósitos e outras soluções de dinheiro digital, para ampliar a eficiência e a proteção de depósitos. A discussão sobre o euro digital retail também cresce, visando reduzir a dependência de provedores externos.
As tensões geopolíticas aceleraram a busca por soberania monetária na região. A União Europeia avalia a implementação de um sistema de pagamentos minoristas para completar o euro digital público, sem depender de redes americanas como Visa e Mastercard.
A indústria vem defendendo que o euro digital não substitui o sistema privado existente, mas o complementa, especialmente em pagamentos offline. A ideia é oferecer uma opção segura, com regulamentação clara, para operações que não dependam de conectividade constante.
Interoperabilidade e próximos passos
Há avanços na interoperabilidade entre serviços de pagamento europeus. O Bizum, criado por bancos espanhóis, já atende 31 milhões de pessoas e opera com a Itália e Portugal, com planos de expandir para Alemanha, França e outros países até 2027, alcançando cerca de 135 milhões de usuários.
Apesar das propostas, há cautela quanto aos custos de implementação e ao impacto potencial sobre os depósitos. A autoridade monetária ainda destaca a importância de uma infraestrutura robusta para suportar grandes transações na blockchain.
Entre na conversa da comunidade