- iFood abriu ação na 1ª Vara Empresarial de São Paulo contra Keeta e Meituan por concorrência desleal, pedindo R$ 1 milhão por danos morais.
- Alega que Keeta contratou consultorias asiáticas para obter informações confidenciais do iFood, com reuniões pagas a um ex-funcionário via LinkedIn; ele teria recebido R$ 5 mil.
- Identificaram‑se e-mails vinculados à Meituan, sugerindo tentativa de ocultar identidades; Justiça pode impor multa diária de R$ 100 mil para cessar as práticas.
- A petição cita atuação de CIC, SixDegress e BCC Global, com abordagens entre março de 2025 e abril de 2026, predominantemente por LinkedIn e reuniões online.
- O documento também menciona investigações internacionais envolvendo o Zoom; o iFood destaca ter mais de 65 milhões de clientes e o setor de delivery faturou cerca de R$ 79 bilhões em 2025.
A defesa do iFood ganhou um novo capítulo na disputa com a Keeta e a Meituan. A empresa protocolou uma ação na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem de São Paulo, por concorrência desleal, buscando indenização de R$ 1 milhão.
A principal acusação envolve supostas abordagens de consultorias asiáticas para obter informações confidenciais do iFood. As iniciativas teriam ocorrido principalmente por meio de mensagens no LinkedIn, com reuniões pagas envolvendo um ex-funcionário do iFood.
No núcleo do processo estão a Keeta, que atua no Brasil desde outubro de 2025, e a Meituan, controladora da Keeta. O iFood aponta que as ações visavam dados estratégicos, planos de investimento e relações com parceiros, entre outros temas.
Processo na Justiça
O documento da ação, de 20 páginas, sustenta que o ex-funcionário Matheus Santana participou de cinco reuniões online entre abril e junho de 2025, após contato da consultoria CIC. Santana, desligado do iFood em abril, afirma ter recebido R$ 5 mil pelas conversas.
O iFood também relata que houve uso de grupos de WhatsApp para compartilhar áudios e informações sobre as abordagens, além de apreensão de dispositivos do ex-funcionário para comprovar as reuniões. A empresa sustenta que as consultorias atuavam de forma a ocultar identidades.
Além do dano moral, o iFood cobra danos materiais e busca medidas para cessar as abordagens, com multa diária de R$ 100 mil caso as práticas continuem. A ação envolve ainda indícios de que e-mails vinculados à Meituan foram usados para ocultar a identidade dos envolvidos.
Investigações e Evidências
A ação cita que investigações americanas abriram caminho para evidências de ligação entre práticas investigadas e a Keeta. Questionamentos na Justiça dos EUA teriam levado à obtenção de informações sobre as operações com a Zoom, incluindo e-mails vinculados a Meituan.
Atualizações indicam que, segundo o Zoom, ao menos sete e-mails com domínio Meituan teriam sido usados em contatos com funcionários do iFood, embora com identificação ambígua dos nomes. A prática é apresentada como indício de ocultação de envolvidos.
Outras consultorias citadas incluem SixDegress e BCC Global, com questionamentos sobre planos de investimento, mudanças organizacionais e estratégias de negócios do iFood. Cheney records e comunicações foram anexados ao processo para embasar as alegações.
Contexto do Setor
O iFood, líder do mercado brasileiro, argumenta que a prática violaria a Lei de Propriedade Industrial e causaria dano econômico relevante. A empresa aponta potencial impacto sobre investidores e operações, destacando o crescimento do setor de delivery no país.
A disputa envolve também o interesse de manter um ambiente ético no ecossistema de delivery, com a prática de concorrência desleal já sendo alvo de ações administrativas e civis. O iFood é parte do grupo Prosus, com atuação em milhares de municípios e alta escala de entregas.
Reações e próximos passos
O iFood afirmou ter tomado medidas judiciais e extrajudiciais para coibir atividades semelhantes, e declarou continuidade na identificação de entidades envolvidas. A Meituan, a Keeta e as consultorias citadas não tiveram respostas oficiais amplas até o momento.
Se confirmadas as irregularidades, a Justiça poderá determinar o cessar imediato das abordagens e a imposição de multas. O andamento do processo será acompanhado, com novas informações sobre provas e testemunhos esperadas nas próximas semanas.
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