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Investimento estrangeiro no Brasil muda de perfil: menos indústria, mais serviços

Investimento direto no país somou US$ 77 bilhões em 2025, com serviços absorvendo 57,2% e indústria em recuo

País se consolida como um dos principais destinos de capital estrangeiro, com destaque para o setor de serviços, que absorveu 57,2% dos investimentos em 2025, segundo dados do Banco Central
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  • Em 2025 o Brasil recebeu US$ 77 bilhões em investimento estrangeiro direto, aumento de 23% frente a 2024, ficando em terceiro lugar no ranking global.
  • No total acumulado de participação acionária, o IDP somou US$ 44,366 bilhões, dos quais US$ 25,398 bilhões, equivalentes a 57,2%, foram para o setor de serviços.
  • A fatia destinada à indústria e ao setor primário recuou, com destaque para a queda da participação do setor industrial nos últimos anos.
  • Entre os serviços, destaca-se o crescimento dos investimentos no setor de tecnologia da informação e, especialmente, nos serviços financeiros, cujo IDP anual médio quase dobrou nos cinco anos 2021–2025.
  • Especialistas apontam que o Brasil continua atrativo para o capital externo por tamanho do mercado, previsibilidade institucional e condições favoráveis para operações locais, com movimentos recentes ligados a inovação e regulação em setores como data center e minerais críticos.

O Brasil recebeu US$ 77 bilhões em investimentos estrangeiros diretos (IDP) em 2025, segundo a OCDE. O volume foi 23% superior a 2024, situando o país entre os três maiores destinos globais, atrás apenas de EUA e China.

Dados do Banco Central apontam que a maior parte do IDP concentrado na participação no capital de empresas foi para o setor de serviços, que recebeu US$ 25,398 bilhões, equivalentes a 57,2% do total dessa modalidade. A indústria e o setor primário reduziram suas participações.

Na média de 2016 a 2025, serviços responderam por 60,7% do IDP anual, acima dos 50% observados de 2016 a 2020. A indústria caiu de 30,9% para 27,25% e o primário de 18,5% para 11,2%.

Segundo especialistas, o movimento reflete a transformação da economia brasileira, cada vez mais centrada em serviços. A demanda por TI impulsiona o fluxo para esse segmento, com a média anual de IDP em serviços de tecnologia da informação subindo cerca de 70% entre 2016-2020 e 2021-2025.

Entre os serviços, o setor financeiro teve o maior aumento: o IDP anual médio passou de US$ 930 milhões (2016-2020) para US$ 1,89 bilhão (2021-2025). Oito em cada dez dólares de aumento vieram desse recorte, segundo o BC.

Especialistas ressaltam que o Brasil continua atraente para capitais externos, devido ao tamanho do mercado, infraestrutura, previsibilidade institucional e democracia estável. Outros fatores incluem custo de produção local para atender o mercado brasileiro.

Embora o País mantenha atratividade, há ressalvas: a visão de abertura é acompanhada de tarifas elevadas para muitos produtos importados, o que incentiva multinacionais a montar produção no Brasil para consumo local, segundo analistas.

Perspectivas e políticas públicas

A Apex investe em promover o Brasil como destino de investimentos, destacando condições de energia abundante, neutralidade geopolítica e estabilidade democrática. O tema de mineração crítica também ganha atenção regulatória para atrair fluxos de longo prazo.

A Câmara aprovou o PL das Terras Raras, marco regulatório da mineração de minerais críticos, enquanto o governo busca avançar com o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), para estimular instalação de infraestrutura no país.

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