- Em 2025, foram registradas 21 ocorrências entre assaltos a agências e ataques a caixas eletrônicos, o menor número em doze anos, conforme levantamento da Febraban.
- Ainda assim, fraudes financeiras e incidentes cibernéticos cresceram, com 12 milhões de indícios de fraude no sistema financeiro brasileiro em 2025, aumento de quase setenta por cento em relação a 2024, e 76 incidentes cibernéticos graves registrados ao Banco Central.
- O ataque à empresa C&M, provedora de serviços de tecnologia que conectava instituições ao sistema Pix, desviou 813 milhões de reais e é considerado o maior crime cibernético contra o sistema financeiro nacional.
- Especialistas apontam migração do crime para o digital por menor risco, alcance maior e uso de recursos como inteligência artificial em golpes de engenharia social, com investidas transnacionais.
- Bancos e órgãos públicos têm aumentado cooperação e investimentos em prevenção: aprox. 50 bilhões de reais em tecnologia, com 10% destinados à prevenção de fraudes e cibersegurança, além de iniciativas como a Plataforma Tentáculos e acordos de cooperação entre setor privado e Polícia Federal.
Em 2025, o Brasil registrou 21 ocorrências entre assaltos a agências e ataques a caixas eletrônicos, segundo a Febraban. O número representa o menor registro em 12 anos do levantamento feito junto a 14 instituições associadas. Em 2015, foram 3.089 casos nesse âmbito.
A Federação aponta que a redução se deve aos investimentos em segurança física, à gestão de risco e à atuação conjunta com as forças públicas e o Judiciário. Anualmente, os bancos aplicam cerca de 9 bilhões de reais em segurança de agências.
Embora crimes físicos tenham diminuído, fraudes e ataques cibernéticos cresceram. O Banco Central registrou 76 incidentes cibernéticos graves em 2025, quase 11 vezes mais que em 2018. O episódio mais destacado envolveu a provedora C&M, ligada ao sistema Pix.
Ao todo, o setor financeiro computou 12 milhões de indícios de fraude em 2025, conforme análise da Quod. A engenharia social foi apontada em quase metade dos casos, evidenciando o papel das fraudes digitais na violência financeira.
O ataque à C&M evidenciou vulnerabilidades humanas e técnicas. Criminosos desviaram 813 milhões de reais de contas reservas de instituições vinculadas à PSTI, cifra cinco vezes maior que o maior assalto anterior ao BC, em Fortaleza, em 2005.
Segundo a PF, os criminosos atuaram de forma estruturada, com divisão de tarefas e uso de sistemas para centralizar ordens fraudulentas. A investigação aponta que o crime digital oferece menor risco aos envolvidos e maior alcance geográfico.
Para especialistas, a migração do crime organizado ao ambiente digital amplia o raio de atuação do grupo e facilita golpes em âmbito nacional e transnacional. A capilaridade das ações digitais aumenta a pressão sobre a segurança de dados e identidades.
Digitalização financeira
A expansão da digitalização eleva o número de pessoas físicas com relação bancária, que passou de 143,6 milhões em 2015 para 204,3 milhões em 2025, segundo o CCS do BC. A transformação digital impõe novos desafios de proteção de dados, identidade e governança.
O Pix e operações rápidas também aparecem como vetores de fraude. Em alguns ataques, criptomoedas serviram para transferir recursos de forma quase imediata para fora do país, dificultando a recuperação.
Cooperação
Desde 2023, bancos compartilham dados sobre indícios de fraude via birôs, fortalecendo a identificação de contas fraudulentas. Também há acordos entre instituições e a Polícia Federal na Plataforma Tentáculos, para centralizar informações e orientar investigações.
A cooperação público-privada é vista como fundamental para o enfrentamento de crimes cibernéticos. As entidades continuam ampliando ações de prevenção, com foco na proteção de dados, identidades e controles de transferência de valores.
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