- Medidas de estímulo do governo ainda não elevaram a popularidade de Lula de forma relevante; inflação continua influenciando decisões.
- Instituto Fiscal Independente (IFI) aponta que as ações, classificadas como populistas por mercado, somam 295,29 bilhões e podem ter impacto financeiro e na demanda, afetando o déficit primário.
- BTG Pactual aponta 139,4 bilhões em medidas existentes ou avançadas, com potencial de expandir o PIB em 1,9% neste ano e 1,6% no próximo; há mais 11 propostas em estudo que, juntas, podem chegar a 340 bilhões.
- XP estima que crédito, subsídios e medidas de renda possam chegar a até 1,4 ponto percentual do PIB em 2026, com vigência condicionada ao calendário eleitoral até 4 de julho.
- O IBGE deve anunciar o PIB de maio com alta entre 0,9% e 1,1% no trimestre; aprovação de Lula fica entre 46% e 48%, desaprovação entre 49% e 53%, sem garantia de virada.
O governo federal anunciou uma série de medidas de estímulo econômico nos últimos meses, mas ainda não houve confirmação de ganho expressivo na popularidade do presidente Lula. As ações, que incluem crédito, subsídios e renúncias de tributos, convivem com a pressão inflacionária global que também afeta o Brasil.
Analistas avaliam que nem todas as medidas configuram impulso fiscal direto, e o efeito sobre a atividade é variável. A IFI aponta que algumas iniciativas podem ter impacto orçamentário, enquanto outras atuam apenas no âmbito financeiro ou creditício, sem alterar o resultado primário de forma automática.
Para contextualizar, o BTG Pactual mapeou dez medidas já implementadas ou em estágio avançado, estimando R$ 139,4 bilhões no total, com expectativa de contribuição para um crescimento de 1,9% do PIB neste ano e 1,6% em 2024. Entre os itens citados estão a isenção do IR até R$ 5 mil, programas Move Brasil, Desenrola e subsídios a energia e combustíveis.
Impacto fiscal e rubricas em estudo
Além das ações já em vigor, há 11 iniciativas avaliadas como potencialmente influentes pelo BTG, com valores estimados em R$ 199 bilhões. Entre elas estão medidas como redução de IPVA, gratuidades em transporte público, ampliação de limites do MEI e do Simples, além de novas ações associadas a fundos climáticos e à aposentadoria para agentes de saúde. Caso confirmadas, essas propostas podem elevar o montante total a até R$ 340 bilhões.
A XP ressalta que o governo acelerou o ritmo de anúncio de estímulos, com quatro ações em um único mês. O banco aponta ainda que as principais medidas precisariam estar viáveis até 4 de julho, data de início das regras eleitorais, para evitar impacto institucional durante o período.
Perspectivas macroeconômicas
O IBGE divulgou que o PIB de maio mantém o ritmo de recuperação iniciado no fim de 2023, com expectativa de expansão entre 0,9% e 1,1% ante o trimestre anterior. A projeção para 2025 fica em torno de 2,3%, com a expectativa de melhora gradual para 2026, segundo projeções de institutos como Focus.
Economistas calculam que, se as medidas alcançarem o teto de crédito, subsídios e renda, o impacto potencial no PIB pode chegar a até 1,4 ponto percentual em 2026, segundo a XP. No entanto, ainda não há consenso sobre a capacidade dessas ações de promover bem-estar pleno diante da inflação nos itens de alimentação e transporte.
Cenário político e indicadores de apoio
Pesquisas recentes apontam aprovação entre 46% e 48% e desaprovação entre 49% e 53% para o presidente, conforme levantamentos de diferentes institutos. Observa-se uma leitura de que aquecer a economia com verbas públicas não necessariamente se traduz em aumento expressivo de popularidade, especialmente diante da inflação.
No âmbito político, o debate sobre o fim da escala 6×1 e o andamento de propostas legislativas envolve negociações com o Congresso e setores produtivos. A relação entre medidas de estímulo, inflação e credibilidade fiscal continua a guiar o humor do mercado e a percepção pública sobre o governo.
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