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iFood processa Keeta e acusa rival chinesa de espionagem corporativa

iFood processa Keeta por espionagem corporativa e busca indenização e multa; evidências apontam participação de executivos da Meituan em reuniões sigilosas

Logo Keeta e Ifood | Divulgação
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  • O iFood entrou com ação judicial contra a Keeta (braço internacional da chinesa Meituan), acusando concorrência desleal, assédio a funcionários e obtenção de informações sigilosas.
  • A investigação interna aponta que um ex-funcionário, identificado como Matheus Santana, participou de reuniões pagas com a consultoria China Insights Consultancy, em Xangai, e repassou dados estratégicos.
  • O iFood rastreou as reuniões nos Estados Unidos por meio de uma ação contra a Zoom, revelando que os participantes usavam e-mails com domínio “@meituan.com”.
  • A ação pede multa diária de R$ 100 mil para a Keeta, além de indenização por danos morais de R$ 1 milhão e ressarcimento de danos materiais, ambos a serem calculados posteriormente.
  • A empresa afirma que mais de 240 funcionários foram abordados por consultorias nos últimos doze meses, e menciona que Santana deixou o iFood em junho do ano passado para a 99; a Keeta nega envolvimento e afirma seguir a LGPD.

O iFood acionou a Keeta, braço internacional da chinesa Meituan, na Justiça brasileira, em ação por espionagem corporativa, concorrência desleal e abuso de funcionários. A investigação interna apontou um ex-funcionário como responsável pelo compartilhamento de dados estratégicos. A denúncia cita reuniões pagas com a consultoria China Insights Consultancy (CIC), sediada em Xangai.

De acordo com o processo, as informações foram repassadas após o ex-funcionário Matheus Santana deixar o iFood para atuar na 99. A petição detalha participação dele em pelo menos cinco encontros com a CIC, supostamente voltados a obter dados sigilosos.

O iFood também rastreou as reuniões realizadas nos Estados Unidos. Em ação movida contra a Zoom, a plataforma de videoconferência, os registros indicam participantes com domínios de email vinculados à Meituan.

Rodolfo Araújo, diretor jurídico do iFood, afirma ter obtido pela primeira vez comprovante da participação de executivos da Meituan em agendas com compartilhamento de informações confidenciais. A declaração foi dada ao Pipeline.

A ação, assinada pelo escritório E. Munhoz, baseia-se na Lei de Propriedade Industrial. O iFood solicita a proibição de contato da Keeta com funcionários da empresa, com multa diária de R$ 100 mil.

Além da medida de caráter liminar, o iFood requer indenização de R$ 1 milhão por danos morais e o ressarcimento de danos materiais a serem apurados posteriormente. O valor inicial é visto como simbólico.

A empresa brasileira afirma que já identificou mais de 240 colaboradores abordados por consultorias ao longo do último ano, por meio de LinkedIn. A investigação interna não descarta novas apurações ou ações judiciais.

Matheus Santana deixou o iFood em junho do ano passado e hoje trabalha na 99; ele também é alvo de um inquérito policial. A Keeta, por sua vez, afirmou, em nota ao Pipeline, que não participa de abordagens para fins descritos.

A Keeta negou envolvimento nas acusações e informou não ter recebido notificações oficiais. A empresa assegurou atuar em conformidade com a LGPD e com a legislação brasileira.

O caso também envolve denúncias anteriores de espionagem ligadas à operação-piloto na Baixada Santista. Em novembro do ano passado, restaurantes da região relataram abordagens de pessoas com credenciais falsas. As informações são apuradas pela Polícia Civil.

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