- Samsung fechou um acordo trabalhista que pode distribuir até 40 trilhões de won (cerca de US$ 26,6 bilhões) em 2026, com média por funcionário da divisão DS em torno de US$ 340 mil a US$ 400 mil.
- O pacote funciona como um Special Business Performance Bonus, somando 12% do lucro operacional da divisão DS (10,5% em ações mais 1,5% em dinheiro), sem teto definido.
- O acordo se manterá por dez anos, com metas: entre 2026 e 2028, DS deve ter lucro operacional superior a 200 trilhões de won por ano; de 2029 a 2035, a meta é acima de 100 trilhões de won por ano.
- Investidores minoritários, representados pela Korea Shareholder Action Headquarters, consideram o acordo ilegal sem aprovação em assembleia e planejam ações judiciais para bloquear o saque de recursos.
- Cerca de setenta mil membros do sindicato votam entre 23 e 28 de maio para ratificar ou rejeitar o acordo; há atrito interno na Samsung, com resistência de áreas que não são da divisão de chips.
A Samsung fechou um acordo trabalhista que pode transformar a divisão de semicondutores em uma base de bônus de alto valor, ao mesmo tempo em que acende uma disputa com investidores minoritários. O pacote prevê pagamentos bilionários com base no lucro operacional da DS, afetando até 78 mil funcionários. O cronograma foi definido para evitar uma greve que ameaçava paralisar a produção.
O acordo, designado Special Business Performance Bonus, distribui 12% do lucro operacional da DS aos trabalhadores, sendo 10,5% em bônus vinculados a ações e 1,5% em dinheiro. A vigência é de dez anos, com metas anuais de performance para sustentar os pagamentos.
O faturamento esperado para 2026, sob o cenário da DS, aponta lucro operacional de cerca de 300 trilhões de won. Com isso, o pool total de bônus chega a 40 trilhões de won, equivalente a US$ 26,6 bilhões. A média por funcionário fica estimada em US$ 340 mil, segundo estimativas de mercado.
Coloca-se na conta que o bônus especial para a DS somaria aproximadamente 31,5 trilhões de won, cerca de US$ 21 bilhões, distribuídos entre os trabalhadores. Calcula-se que a faixa média por pessoa alcance valores próximos a meio milhão de won — ou cerca de US$ 340 mil, sem considerar impostos locais.
A decisão gerou contestação de investidores minoritários. O grupo Korea Shareholder Action Headquarters organizou protesto em Seul, chamando o acordo de ilegal e prometendo ações judiciais para impedir desembolsos vinculados ao lucro operacional sem aprovação em assembleia geral.
O argumento é baseado no Commercial Act da Coreia do Sul: qualquer distribuição de lucros destinada aos acionistas e trabalhadores exige aprovação da assembleia, não apenas acordo entre direção e sindicato. A entidade também avalia pedir liminares para suspender a execução.
A votação sobre o acordo, aberta entre 23 e 28 de maio, envolve cerca de 70 mil membros do sindicato. O desfecho pode implicar ainda em ações legais ou em retomada de negociações, dependendo do resultado.
Entre as partes, há tensões internas. Funcionários da divisão DX, que contempla celulares, eletrodomésticos e displays, observam o pacote da DS com reserva. A diferença de remuneração entre áreas pode pressionar relações com subcontratados.
A explicação para o tamanho do pacote está ligada ao boom de memória de alta largura de banda. A Bloomberg projeta que o lucro operacional da Samsung pode chegar a 330 trilhões de won em 2026, com histórico de competição intensificada com a SK Hynix.
Cenários futuros apontam para decisão rápida: se aprovado, o processo judicial pode seguir para objetos de liminar e ação anulatória; se rejeitado, volta a risco de greve, com possível intervenção do governo para mediar.
Em linha com o papel estratégico dos semicondutores para a economia sul-coreana, qualquer interrupção na produção poderia afetar as exportações do país, que dependem fortemente de chips. O desenrolar envolve não apenas trabalhadores e direção, mas o equilíbrio entre setores da Samsung.
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