- A The Economist estima que o que chamam de “imposto MAGA” reduz o crescimento da economia americana em cerca de 0,8 ponto porcentual, com tarifas, queda na oferta de mão de obra e menor investimento não relacionado a IA.
- O impulso da inteligência artificial elevou o PIB, principalmente por investimentos de quatro gigantes da tecnologia, mas apenas cerca de 0,2 ponto porcentual do crescimento veio de produção doméstica; o restante ocorreu no exterior.
- A valorização da bolsa elevou a riqueza das famílias em cerca de US$ 5 trilhões, o que pode ter contribuído com aproximadamente 0,3 a 0,5 ponto porcentual do consumo em 2025.
- As medidas de apoio ao crescimento, como fusões, desregulamentação e cortes de impostos, devem ter aumentado o crescimento em 0,2 ponto porcentual em 2025 e em 0,4 ponto porcentual em 2026.
- Com esses efeitos combinados, a economia poderia ter crescido 2,7% em 2025, em vez de 2,0%, e, sem o peso do imposto, poderia chegar perto de 5% em alguns trimestres futuros, segundo as projeções citadas.
Desde a posse de Donald Trump em janeiro do ano passado, a economia dos Estados Unidos tem mostrado crescimento robusto, destacando-se no cenário global. Em 2025, o PIB avançou 2,1%, mesmo com políticas associadas a riscos para o crescimento.
Ao longo de 15 meses, bolsas de valores atingiram recordes, enquanto a condução de políticas como deportações, guerras comerciais e redução de burocracia permanecem sob escrutínio. Economistas divergiram entre perceber impactos fortes ou possíveis limitações dessas medidas.
O que está em jogo
A Economist avaliou o que chamam de “imposto MAGA” sob três pilares. O primeiro é o impulso da inteligência artificial, com investimentos massivos de grandes empresas em 2025 e projeções de alto gasto em 2026.
Esse boom elevou a demanda por data centers, chips e software. Em 2025, o investimento real nessas áreas cresceu acima de 15%, contribuindo com quase 1 ponto percentual para o crescimento do PIB, embora parte dessa atividade ocorra com fornecedores estrangeiros.
Um segundo impulso veio do desempenho das ações. Entre 2020 e 2025, o S&P 500 subiu cerca de 15% acima da inflação, o que gerou ganhos de riqueza estimados em US$ 5 trilhões. O consumo agregado pode ter aumentado aproximadamente US$ 100 bilhões em 2025, puxando o crescimento em cerca de 0,3 a 0,5 ponto percentual.
O terceiro fator está nas políticas de crescimento promovidas pelo governo. Medidas como reduções de impostos, facilitação de fusões e alívio regulatório teriam levado a uma expansão de 0,2 ponto percentual no crescimento em 2025 e 0,4 ponto em 2026, segundo várias análises independentes.
Perspectivas e incertezas
A soma desses efeitos indicaria um Brasil de crescimento mais acelerado, praticamente com o triplo do que foi observado. No entanto, parte do impulso da IA envolve grande parte de produção externa, o que reduz o ganho direto no PIB dos EUA para cerca de US$ 50 bilhões em 2025, equivalente a 0,2 ponto percentual.
Além disso, tarifas comerciais e incerteza política teriam ajudado a frear investimentos em setores não vinculados à IA. Estima-se que 45% dos executivos tinham planos de cortar gastos de capital ante a incerteza, segundo uma pesquisa da Reserva Federal de Atlanta.
A soma dessas restrições aponta para redução de até 0,8 ponto percentual no PIB, em linha com estimativas que comparam a economia atual a um cenário sem o que chamam de imposto MAGA.
Olhando adiante
Com tarifas instáveis, tensões geopolíticas e pressões inflacionárias, o cenário permanece incerto para o ambiente de negócios. Em vias de continuar, a trajetória do investimento privado pode depender da clareza regulatória e de políticas de longo prazo.
A casa de pesquisa econômica também aponta que, sem o peso do imposto, o PIB poderia apresentar crescimento anualizado próximo de 5% em determinados trimestres, sob condições favoráveis de demanda e crédito. Isso representa o limite superior histórico para o país, antes da pandemia.
Este texto não expressa opinião, apenas apresenta os dados e as análises disponíveis sobre o tema. Fontes citadas indicam impactos estimados por institutos e organizações que acompanham a economia dos EUA.
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