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Empresas chinesas adquirem marcas estrangeiras, fortalecendo presença global

Empresas chinesas aceleram aquisição de marcas estrangeiras, buscando expansão internacional diante da desaceleração doméstica e pressões inflacionárias

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  • Empresas chinesas passam a comprar mais marcas estrangeiras para crescer fora do país, em meio à concorrência interna.
  • Anta anunciou 29% da Puma por 1,5 bilhão de euros; Shein fechou acordo para adquirir a Everlane por cerca de US$ 100 milhões.
  • A Everlane é vendida pela L Catterton; a Nestlé vendeu participação na Blue Bottle Coffee para a Centurium Capital (Luckin Coffee).
  • No primeiro trimestre, acordos de bens de consumo no exterior totalizaram US$ 2,4 bilhões, majoritariamente na Europa e na América do Norte; em 2023, o total foi US$ 6,8 bilhões.
  • Analistas dizem que adquirir marcas estabelecidas é caminho rápido para expansão internacional, especialmente com desaceleração da economia doméstica chinesa.

Empresas chinesas ampliam presença no exterior ao adquirir marcas de consumo, buscando crescimento além das fronteiras nacionais. O movimento ocorre em meio a forte concorrência interna e pressões deflacionárias que ajudam a financiar operações globais.

Poucos meses após a aquisição de 29% da Puma pela Anta por 1,5 bilhão de euros, a varejista de moda Shein fechou acordo para comprar a marca americana Everlane, especializada em produtos sustentáveis, por cerca de US$ 100 milhões. A Everlane será vendida pela L Catterton, fundo apoiado pela LVMH.

A Everlane atua com foco em sustentabilidade e diz manter seus valores mesmo após a aquisição. O negócio reforça a tendência de marcas chinesas adquirirem ativos estabelecidos para acelerar a expansão internacional, sem depender de construção orgânica desde o zero.

Atração por marcas estrangeiras

Neste mesmo mês, a Nestlé confirmou a venda de sua participação majoritária na Blue Bottle Coffee para a Centurium Capital, acionista da Luckin Coffee na China, grupo conhecido por preços baixos. A operação mostra o interesse chinês por ativos no exterior, inclusive em bebidas e alimentação.

Houve US$ 2,4 bilhões em acordos de bens de consumo no exterior no primeiro trimestre deste ano, com grande parte na Europa e na América do Norte. O total do ano passado foi de US$ 6,8 bilhões, o maior desde 2018, segundo a Rhodium Group.

Contexto e perspectiva de mercado

Especialistas apontam que bens de consumo são um dos poucos setores abertos a investimentos chineses em economias avançadas. Empresas com marcas domésticas maduras buscam ampliar presença internacional diante da desaceleração econômica interna, adoçando o caminho com aquisições de marcas já consolidadas.

A trajetória da Anta na Puma é citada como exemplo dessa estratégia, que inclui ainda a compra de Amer Sports, dona da Hoka, Salomon e Arc’teryx, além da extensão de direitos da Fila na China. O movimento é visto como forma de reduzir dependência do mercado interno.

No cenário global, o investimento externo da China atingiu US$ 27 bilhões no ano anterior, impulsionado por ativos em economias emergentes. Além das marcas de vestuário, o setor de veículos elétricos também sinaliza expansão internacional.

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