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Arrecadação pode subir 104 bi com alta do petróleo, aponta FGV Ibre

Alta do petróleo pode elevar arrecadação da União em até R$ 104 bilhões, porém implica risco inflacionário e pressiona preços de combustíveis e fertilizantes

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  • Se o Brent ficar em torno de US$ 100 o barril até o fim do ano, a arrecadação da União pode superar R$ 100 bilhões, conforme o FGV Ibre.
  • A alta do petróleo eleva exportações brasileiras e melhora contas externas, mas pressiona preços de combustíveis e fertilizantes.
  • Riscos inflacionários existem: o governo usa arrecadação extraordinária para reduzir impostos sobre combustíveis e subsidiar gasolina e diesel; subvenção anunciada de R$ 0,89 ainda não estava integrada aos cálculos.
  • O estudo aponta possível impacto de até 0,9 ponto percentual no IPCA, o que reduce o espaço para cortes na taxa Selic; o Banco Central deve agir com cautela.
  • Sobre transição energética, o consumo de derivados não aumentou devido à substituição por biodiesel, etanol e hidrogênio verde; questões fiscais devem avançar a partir de 2027.

A alta do petróleo pode gerar um bônus fiscal considerável para o Brasil, conforme estimativas do FGV Ibre. Se o Brent ficar próximo de US$ 100 por barril até o fim do ano, a arrecadação da União pode superar R$ 100 bilhões, ampliando o espaço para ajustes fiscais.

Entretanto, a elevação dos preços da commodity também pressiona combustíveis e fertilizantes, itens-chave na produção. O benefício fiscal surge com a maior renda externa do país em decorrência da maior exportação de petróleo.

O especialista Manoel Pires, do Observatório de Política Fiscal do FGV Ibre, aponta que o Brasil virou grande produtor de petróleo, o que aumenta o valor das exportações e eleva a arrecadação sempre que o preço do barril sobe.

Risco inflacionário e medidas compensatórias

Pires ressalta que a alta impacta a economia de forma distributiva, já que energia é insumo essencial e influencia preços ao consumidor. O lado positivo é a maior arrecadação; o negativo é o risco inflacionário.

O governo tem utilizado a arrecadação extraordinária para reduzir impostos sobre combustíveis e subsidiar gasolina e diesel, tentando manter a inflação sob controle.

Sobre a defasagem de preços da Petrobras, estimada em 49% com ajuste de cerca de R$ 1,76, a subvenção anunciada de R$ 0,89 ainda não esteve totalmente incorporada, devido ao estágio de implementação.

Espaço para corte da Selic e política monetária

O relatório estima que, com repasses de derivados, a inflação pode avançar até 0,9 ponto percentual no IPCA, o que reduz o espaço para cortes na Selic e ressalta a necessidade de cautela do BC.

Sem as medidas compensatórias, a inflação seria maior e o cenário monetário divergiria, reforçando a importância de ações fiscais para estabilizar a inflação.

Transição energética e perspectiva estrutural

Pires afasta o risco de que a renda do petróleo adie decisões de transição energética. O consumo aparente de derivados não aumentou, devido à substituição por biodiesel, etanol e o avanço do hidrogênio verde.

Segundo ele, o sucesso dessas diversificações energéticas beneficia o Brasil, inclusive em cenários com alta do petróleo, e sinaliza robustez estrutural.

Por fim, o pesquisador aponta que a questão fiscal é estrutural e espera retomar uma agenda mais efetiva a partir de 2027, após o ciclo eleitoral.

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